Israel executa outro líder da Jihad Islâmica em Gaza no quarto dia de combates

Um líder militar da organização palestina Jihad Islâmica morreu, nesta sexta-feira (12), em um bombardeio israelense na Faixa de Gaza, no quarto dia de confrontos que já deixaram 33 mortos do lado palestino e um em Israel.

O Egito, mediador tradicional entre ambas as partes, trabalha para alcançar uma trégua enquanto se multiplicam os apelos internacionais para acabar com essa escalada de lançamentos de foguetes e mísseis, a mais grave entre os movimentos armados em Gaza e Israel desde agosto de 2022.

A violência começou na terça-feira com ataques israelenses contra a Jihad Islâmica, um grupo palestino considerado "uma organização terrorista" por Israel, União Europeia e Estados Unidos.

Nesta sexta-feira, outro líder militar deste movimento, o sexto até agora, morreu em um bombardeio israelense em uma área habitada no centro da Faixa de Gaza, disse à AFP um porta-voz do grupo.

De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde do território palestino, 33 pessoas morreram no local desde terça-feira. Entre os mortos estão combatentes da Jihad Islâmica e membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), outro grupo armado.

- "Acordo de honra" -

Desde o início de sua operação, classificada de "preventiva", o exército israelense atacou 254 alvos da Jihad Islâmica, sejam instalações ou membros do grupo.

Em Israel, uma pessoa morreu na quinta-feira na cidade de Rehovot, ao sul de Tel Aviv, por um foguete que atingiu um prédio habitado, segundo a polícia.

Desde os primeiros lançamentos de foguetes palestinos na quarta-feira, os serviços de resgate relataram cinco feridos em Israel por estilhaços.

O dia de sexta-feira tinha começado com relativa calma, em meio às tentativas de mediação para alcançar uma trégua. Mohammed Al Hindi, chefe do departamento político da Jihad Islâmica, chegou ao Cairo na quinta-feira e esperava negociações nesta sexta.

"Esperamos obter um acordo de honra que reflita os interesses de nosso povo e da resistência", disse à AFP.

Uma fonte da Jihad Islâmica disse à AFP que "uma das condições mais importantes para um cessar-fogo é que Israel pare com os assassinatos em Gaza e na Cisjordânia ocupada".

Nesta sexta-feira, sirenes de alerta de foguetes soaram até mesmo em assentamentos israelenses no sul da Cisjordânia ocupada, a cerca de 15 quilômetros de Jerusalém.

O braço armado da Jihad Islâmica afirmou ter atacado Jerusalém, Tel Aviv e outras cidades israelenses, "em resposta aos assassinatos e ataques contínuos contra o povo palestino".

Segundo o exército, 973 foguetes foram disparados contra Israel, dos quais 296 foram interceptados pelo sistema de defesa aérea.

O exército afirma que 25% dos foguetes caíram dentro do território de Gaza, causando quatro mortes, incluindo três menores. A AFP não conseguiu obter a confirmação do Hamas e da Jihad Islâmica para essas afirmações.

- "Para onde vamos?" -

Na cidade de Gaza, as ruas voltaram a ficar vazias nesta sexta-feira, com os moradores trancados por precaução e a maioria das lojas fechadas.

A casa de Sabah Abu Khater, de 55 anos, foi destruída em Beit Hanun, no norte do território palestino.

"Para onde vamos agora? Somos dez pessoas. Não temos cama, abrigo ou móveis", disse a mulher à AFP.

Na quinta-feira, a União Europeia pediu um cessar-fogo "imediato" e Washington exortou as partes a evitarem mortes de civis e reduzirem a violência.

A Faixa de Gaza é um território palestino empobrecido onde vivem 2,3 milhões de pessoas. Desde 2007, quando o movimento islâmico Hamas assumiu o controle total do enclave, está submetida a um rígido bloqueio israelense.

O território foi palco de várias guerras com Israel desde 2008.

Em agosto de 2022, três dias de confrontos entre Israel e a Jihad Islâmica mataram 49 palestinos, incluindo pelo menos 19 crianças, segundo a ONU. Mais de mil foguetes foram disparados de Gaza em direção a Israel, deixando três feridos.

bur-cgo/avl-pc/es/aa/mvv