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Zoom bloqueia conta de ativistas que lembraram repressão na Praça da Paz Celestial

Zhou Fengsuo, em Nova York em 2019, ele era um líder da revolta estudantil de Tiananmen

O aplicativo Zoom informou nesta quarta-feira (10) que bloqueou temporariamente uma conta americana de ativistas que lembraram do aniversário da repressão do governo chinês na Praça da Paz Celestial, ato que abre suspeitas sobre a liberdade de expressão no serviço de videoconferência amplamente utilizado durante a pandemia.

Ativistas do grupo Humanitarian China, com sede nos Estados Unidos, utilizaram o Zoom para conectar mais de 250 pessoas para recordar o massacre de Pequim no levante pró-democracia de 4 de junho de 1989.

O bloqueio foi relatado pela primeira vez pelo site de notícias do Axios.

Zhou Fengsuo, cofundador do grupo e número um na lista de mais procurados de Pequim após a repressão da Praça da Paz Celestial, disse à AFP que a conta no aplicativo foi reativada nesta quarta-feira.

O Zoom reconheceu o bloqueio e a reativação da conta.

"Como qualquer empresa global, devemos cumprir as leis aplicáveis nas jurisdições em que operamos", disse um porta-voz da empresa.

Ao realizar uma reunião de vários países, "os participantes dentro desses países devem cumprir suas respectivas leis locais".

"Nosso objetivo é limitar as ações que tomamos às necessárias para cumprir a lei local e revisar e melhorar continuamente nosso processo nessas questões", acrescentou.

O Humanitarian China disse que reuniu inúmeros participantes do interior da China e que sua conta paga do Zoom foi bloqueada sem explicação uma semana depois.

Os ativistas mostraram sua indignação, acusando a empresa de estar sob pressão direta dos líderes comunistas da China.

"Nesse caso, o Zoom é cúmplice em apagar as memórias do massacre da Praça da Paz Celestial em colaboração com um governo autoritário", indica um comunicado da Humanitarian China.