Mercado fechará em 4 h 12 min
  • BOVESPA

    129.822,20
    -385,76 (-0,30%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.934,32
    -95,22 (-0,19%)
     
  • PETROLEO CRU

    71,77
    +0,89 (+1,26%)
     
  • OURO

    1.861,90
    -4,00 (-0,21%)
     
  • BTC-USD

    39.957,78
    -608,64 (-1,50%)
     
  • CMC Crypto 200

    995,82
    -14,79 (-1,46%)
     
  • S&P500

    4.241,68
    -13,47 (-0,32%)
     
  • DOW JONES

    34.222,24
    -171,51 (-0,50%)
     
  • FTSE

    7.171,10
    +24,42 (+0,34%)
     
  • HANG SENG

    28.638,53
    -203,60 (-0,71%)
     
  • NIKKEI

    29.441,30
    +279,50 (+0,96%)
     
  • NASDAQ

    14.044,00
    -80,75 (-0,57%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1707
    +0,0392 (+0,64%)
     

Zonas mortas: regiões oceânicas com oxigênio reduzido existem há mais de 1,2 milhão de anos

·4 minuto de leitura
Zonas mortas: regiões oceânicas com oxigênio reduzido existem há mais de 1,2 milhão de anos
Zonas mortas: regiões oceânicas com oxigênio reduzido existem há mais de 1,2 milhão de anos

Existe algo tão encantador e, ao mesmo tempo, assustador quanto o mar? Um mergulho nas águas salinas têm o poder paradoxal de aliviar o estresse e, simultaneamente, causar enorme pavor. Afinal, os oceanos estão cheios de vida, e grande parte dela, nós ignoramos por completo. Porém, o que pode ser mais assombroso do que regiões oceânicas lotadas de criaturas desconhecidas fazendo lar sob as ondas? Resposta: áreas sem vida alguma. Estamos falando das chamadas “zonas mortas”.

Nos últimos anos, cientistas têm se preocupado cada vez mais com essas áreas de águas hipóxias no oceano, onde os níveis de oxigênio são tão baixos que os animais marinhos não são capazes de lá sobreviverem.

As zonas mortas expandiram tanto seu alcance que não estão mais restritas ao oceano: com a perda de oxigênio nos lagos, podemos observar neles o mesmo mesmo fenômeno que acontece nos mares.

Zonas mortas surgem em ambientes aquáticos nos quais organismos consomem o oxigênio dissolvido na água mais rápido do que ele é reposto. Créditos: John Moran, via Wikimedia Commons.
Zonas mortas surgem em ambientes aquáticos nos quais organismos consomem o oxigênio dissolvido na água mais rápido do que ele é reposto. Créditos: John Moran, via Wikimedia Commons.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia de Santa Cruz (UC Santa Cruz) garantem que esse não é exatamente um problema novo. Um estudo recente descobriu que as zonas mortas, oficialmente chamadas de zonas de oxigênio mínimo (OMZ) são, na verdade, uma característica recorrente do Oceano Pacífico há mais tempo do que qualquer um já imaginou – pelo menos cerca de 1,2 milhão de anos.

Áreas de hipóxia foram características regulares do Pacífico no período Pleistoceno

De acordo com o portal Science Alert, o estudo que foi publicado no periódico científico Science Advances, analisou um núcleo de sedimento antigo perfurado no fundo do mar do Mar de Bering, no Pacífico Norte, onde foram identificadas 27 instâncias separadas de zonas mortas provenientes dos últimos 1,2 milhão de anos. Isso indica que episódios repetidos de hipóxia foram uma característica regular do Pacífico ao longo do Pleistoceno, primeira época no período quaternário e a sexta na era cenozóica.

Sabia-se que o fim da última idade do gelo (cerca de 12 mil anos atrás ) coincidiu com a hipóxia generalizada no Pacífico Norte, quando os principais eventos de aquecimento desencadearam o derretimento da camada de gelo que enviou grandes quantidades de água doce para o oceano.

Leia mais:

Mas, segundo a pesquisa da UC Santa Cruz, o sedimento central analisado revela que as OMZ já existiam muito antes disso. E mais: de acordo com os pesquisadores, não era nem necessária uma transformação ambiental tão drástica assim para que o fenômeno acontecesse.

“Não é necessária uma grande perturbação, como o derretimento das camadas de gelo, para que isso aconteça”, afirmou a cientista oceânica Ana Christina Ravelo, membro do grupo responsável pelo estudo. “Esses eventos hipóxios abruptos são realmente comuns no registro geológico e não são tipicamente associados ao degelo. Quase sempre acontecem durante os períodos interglaciais quentes, como esse em que estamos agora”, explica.

Alguns dos intervalos da zona morta duraram menos de mil anos, enquanto, em outros, as condições de hipóxia persistiram por cerca de 40 milênios. “Não sabemos quão extensos eles eram [fora do Pacífico Norte], mas sabemos que eram muito intensos”, diz Ravelo . “O sistema está preparado para esse tipo de evento acontecer”.

Zonas mortas têm relação com proliferação de algas nocivas e poluição ambiental

As OMZs são frequentemente atribuídas à proliferação de algas nocivas, constituídas por organismos microscópicos que eventualmente se decompõem e submergem ao fundo do mar. À medida que elas afundam, a degradação bacteriana da biomassa acaba consumindo o oxigênio da água.

Zona Morta Costeira ao longo da costa da Luisiana. Proliferação de algas nocivas acaba com o oxigênio do local. Crédito: Permaculture
Zona Morta Costeira ao longo da costa da Luisiana. Proliferação de algas nocivas acaba com o oxigênio do local. Crédito: Permaculture

Nas zonas mortas de hoje em dia, a poluição ambiental é uma grande responsável pelo problema, com resíduos de atividades humanas (especialmente fertilizantes agrícolas) fluindo para o oceano. Dessa forma, os cursos d’água servem como uma fonte de nutrientes que atrai uma abundância de algas marinhas nocivas.

Temperaturas mais elevadas nas águas tornam as zonas mortas mais prováveis, assim como as condições de circulação do oceano. Karla Knudson, líder do estudo, diz que outros fatores também estão envolvidos. “Nosso estudo mostra que os níveis elevados do mar, que ocorrem durante climas interglaciais quentes, contribuíram para esses eventos de hipóxia”, disse Knudson, graduada em ciências oceânicas pela UC Santa Cruz.

Ela explica que, durante as marés altas, o ferro dissolvido das plataformas continentais inundadas pode ser transferido para o oceano aberto e promover o crescimento intenso do fitoplâncton nas águas superficiais.

Embora essas descobertas sugiram que as zonas mortas não são uma exclusivamente resultantes do mundo poluído e antropogenicamente aquecido de hoje, é preocupante que a poluição, as águas mais quentes e os níveis do mar mais elevados sejam alguns dos principais fatores por trás desse fenômeno que pode sufocar animais marinhos por tantos milhares de anos.

Esses dados do passado do oceano podem vir a ser uma prévia sinistra da escala das zonas mortas futuras. Cientistas já projetam que os níveis de oxigênio continuarão diminuindo no oceano global pelos próximos mil anos ou mais, o que é assustador. “É essencial entender se a mudança climática está empurrando os oceanos em direção a um ‘ponto de inflexão’ para a hipóxia abrupta e severa que destruiria ecossistemas, fontes de alimentos e economias”, alerta Knudson.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!