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Zona Franca é responsável por manter a floresta em pé, diz Bolsonaro

Liege Albuquerque

Em visita a Manaus, presidente voltou a defender a liberação para produção em terras indígenas O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que, depois que o projeto Calha Norte (governo Sarney) foi abandonado por governos, a Zona Franca de Manaus é a grande responsável pela floresta em pé”. A declaração foi feita na abertura da I Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (fesPIM), na zona sul da capital amazonense.

Dados divulgados neste mês pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a área desmatada na Amazônia foi de 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, a maior área desmatada nos últimos dez anos. O Amazonas teve desmatamento 36% superior a 2018.

O projeto Calha Norte foi criado em 1985 pelo governo federal para promover a ocupação e o desenvolvimento da Amazônia.

O presidente Jair Bolsonaro participa de feira de Sustentabilidade em Manaus

Marcos Corrêa/PR

Em seu discurso, Bolsonaro também voltou a defender a possibilidade de liberar a produção em terras indígenas.

“Nossos irmãos índios querem se integrar ao Brasil, o índio quer produzir, quer explorar a terra. É terra rica em minérios e querem explorar. Querem criar gado e tem legislação impedindo. Agora consegui rever (legislação que proibia) a plantação da cana de açúcar e todos na região agradeceram. E se os ambientalistas atuais querem me criticar é porque estou no caminho certo”, disse Bolsonaro.

Em entrevista após a abertura da feira, ao ser questionado pelo Valor se a exploração das terras indígenas não acabaria beneficiando grandes mineradoras, mais do que os índios, Bolsonaro respondeu “ser uma pergunta da imprensa maldosa”.

“Esse é um desejo meu, de liberar à exploração, que eles não merecem viver na miséria, na pré-história. Mas tudo tem de passar pelo Parlamento, não pode ficar no desejo meu de não ver nossos irmãos nessas condições.”

Em seguida, o presidente respondeu a um repórter que ele “deveria voltar à faculdade” antes de fazer pergunta. A outro jornalista disse que não responderia mais nenhuma pergunta daquele jornal.

Perguntado sobre a denúncia de que não teria declarado o suposto uso de 11 milhões de santinhos em sua campanha eleitoral, Bolsonaro disse que sua resposta só podia ser uma gargalhada.

A visita de Bolsonaro a Manaus é a segunda passagem do presidente pela capital amazonense desde a posse. Ontem à noite, ele foi homenageado em um culto num templo da Assembleia de Deus. No evento, ele reforçou que indicará “em breve” um ministro evangélico ao Supremo Tribunal Federal (STF).