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Zona do euro inicia trimestre crucial para superar crise

Paul Gordon e Alexander Weber
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- As medidas da Europa para superar a crise provocada pelo coronavírus podem finalmente estar perto de um ponto de inflexão.

Depois de um início conturbado da campanha de imunização, o avanço das vacinações no segundo trimestre determinará se a zona do euro pode finalmente deixar a turbulência econômica para trás ou se perderá ainda mais espaço para outros países.

Com três meses de uma campanha de vacinação irregular, analistas mais otimistas de bancos como JPMorgan Chase e UBS reduziram recentemente as estimativas de crescimento para 2021. Ao mesmo tempo, com a perspectiva de realmente acelerar a imunização no trimestre atual, projeções comparativamente cautelosas para a região agora pareçam viáveis.

Ainda assim, não será fácil. Para que seja bem-sucedida, a campanha de vacinação do bloco deverá administrar milhões de doses todas as semanas, enquanto autoridades enfrentam surtos que levaram a novos lockdowns. A França está prestes a entrar em uma nova fase de restrições.

“O caso básico é que, se as vacinações progredirem e o clima melhorar, as coisas vão melhorar”, disse Dirk Schumacher, economista do Natixis, em Frankfurt. “Dado o nível de demanda reprimida, isso deve gerar taxas de crescimento sólidas. Se a dinâmica de infecções continuar aumentando e houver um fechamento completo, é claro que isso não vai acontecer.”

Mesmo com uma virada no segundo trimestre, o atraso deve sair caro devido aos problemas para a compra de vacinas pela União Europeia, entregas irregulares e lenta distribuição. Quase 10% dos residentes da UE receberam pelo menos uma dose, pouco mais de um terço do total nos EUA.

Isso é “aquém do que esperávamos”, disse a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, em entrevista à Bloomberg Television na quarta-feira.

Esses problemas resultaram em lockdowns mais extensos, prejudicando o crescimento. Analistas mais otimistas rebaixaram as projeções para 2021, como o JPMorgan Chase, que agora espera expansão de 5,3% em vez de 5,8%, e o Deutsche Bank, cuja previsão caiu de 5,6% para 4,6%.

Os economistas também reavaliaram as perspectivas para o segundo trimestre. Esta semana, o instituto Ifo da Alemanha, o Istat da Itália e o KOF da Suíça reduziram pela metade a previsão de expansão para 1,5% em relação aos 3% previstos em dezembro.

“A nova extensão das medidas de lockdown deixará uma marca na atividade no segundo trimestre, embora as campanhas de vacinação devam ganhar força nas próximas semanas”, disse o economista-chefe do BCE, Philip Lane, em um blog na quinta-feira.

O impulso da imunização aumentou a confiança no aquecimento da atividade econômica. A Bloomberg Economics até elevou a projeção de crescimento para 4,4% em 2021.

“Até o fim de maio, os que realmente precisam de vacina deveriam ter recebido, e a economia da zona do euro provavelmente será reaberta”, escreveram os economistas Jamie Rush, Maeva Cousin e David Powell em relatório. “Portanto, esperamos que a atividade se recupere rapidamente.”

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