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Zagueiro Betão opina sobre luta contra o racismo: "Ato contra não pode ser apenas uma comoção. Sofri mais no Brasil"

Betão está no Avaí, desde 2016. Foto: Cristiano Andujar/AGIF

A morte do norte-americano George Floyd, asfixiado por um policial, gerou fortes protestos dos negros no mundo todo. Várias personalidades e esportistas deixaram suas mensagens contrárias, pedindo justiça, respeito e direitos iguais. No Brasil, alguns atletas também se posicionaram nas suas redes sociais.

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O blog conversou com o zagueiro Betão, revelado pelo Corinthians e hoje no Avaí.

“Eu torço para que isso não seja apenas mais um ato de comoção. Todos os outros casos foram de comoção. Jogaram uma banana para o Daniel Alves, aí fica uma hastag #forçaDanielAlves por uma semana, passou e acabou. O Tinga foi ofendido, aí #forçaTinga e acabou. Só espero que essa questão do George Floyd não seja apenas mais uma comoção. Talvez esteja sendo maior porque foi filmado, mas quantos casos não são filmados e que acontecem diariamente?", questiona

“As pessoas falam muito no preconceito racial na Europa, mas acho que aqui no Brasil é maior do que lá. Aqui há um preconceito racial fingido, tapando o sol com a peneira. Aqui tem a maneira de falar assim, “olha o neguinho ali”. Por que neguinho é referência? A gente não vê usarem o branco como referência. Nossa luta não é contra o homem branco e sim contra os racistas” , diz.

“Espero que não seja apenas uma comoção mundial e sou contra a violência. É uma luta de consciência e resiliência. Já sofri preconceito racial jogando no Brasil e ouço direto, ao contrário da Europa, onde nunca aconteceu comigo. Não podemos achar nada normal e levo isso com naturalidade. Vamos mostrar nossa força pela nossa capacidade, caráter e dignidade. É desta maneira que vamos combater isso”, concluiu.

Betão falou também a respeito do Avaí, time que ele defende desde 2016. Nos últimos quatro anos, o Avaí subiu e desceu nas Séries A e B do Brasileiro, sem conseguir se consolidar na elite. “O Avaí já poderia ter essa posição consolidada, sem esse bate e volta. É um clube hoje muito bem organizado, com visão e planejamentos diferentes. O trabalho da diretoria é muito bom e agora estamos bem estruturados para fazermos uma boa Série B”, ressaltou.

O Avaí começou o ano com o técnico português Augusto Inácio e depois contratou Rodrigo Santana. A equipe terminou a primeira fase do Campeonato Catarinense em primeiro lugar. Na Copa do Brasil, caiu para a Ferroviária-SP, na primeira fase.

“O Avaí apostou no Augusto Inácio e houve um choque natural que não deu liga. Métodos de trabalhos e os resultados não apareceram de imediato. Veio com uma filosofia diferente e não houve tempo. Foi uma pena. Troca de treinador nunca é bom para o clube e jogadores”, resumiu Betão.

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