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YouTuber profissional explica como ganhar dinheiro com o YouTube

Rafael Rodrigues da Silva

O que há alguns anos era apenas um hobby, em 2019 se tornou uma profissão para muitas pessoas: ser YouTuber. Quando a plataforma de vídeos surgiu em fevereiro de 2005, muitas pessoas que já se divertiam fazendo vídeos caseiros para compartilhar com os amigos e a família encontraram uma chance de mostrar seus talentos na internet. Em questão de poucos anos o site modificou toda a dinâmica na internet, servindo como uma plataforma para impulsionar novos nomes da música e do entretenimento, criou uma nova forma de se consumir videogames (os streamings de partidas) e até mesmo um novo tipo de emprego, onde produzir vídeos para a internet se tornou uma ocupação paga em tempo integral.

Um dos YouTubers mais longevos na plataforma é Paul Kousky que, desde 2015, se dedica profissionalmente a criar vídeos para o canal PDK Films que, atualmente, possui 10 milhões de inscritos. Assim como a maioria dos YouTubers, boa parte dos ganhos mensais de Kousky provém da reprodução de anúncios durante seus vídeos, que garantem a ele uma remuneração de cerca de US$ 100 mil anuais (algo em torno de US$ 8300 mensais) - um valor acima da média para quem tem só 24 anos.

Segundo Kousky, o vídeo que mais gerou rendimentos para ele foi um com o nome de Nerf War: Tank Battle, postado em fevereiro de 2018. Na época do lançamento ele fez o mesmo sucesso de todos os outros do YouTuber, mas acabou viralizando seis meses depois e somando mais de 150 milhões de visualizações, o que garantiu para o YouTuber um retorno de US$ 97 mil em AdSense (a receita gerada pela divulgação de anúncios durante o vídeo).

Esse valor é pago através de algo que o YouTube chama de CPM, que é o valor que a plataforma desembolsa para o dono do canal por cada 1000 visualizações que o vídeo teve - quantia paga, claro, apenas se o vídeo foi monetizado, ou seja, divulgada propagandas durante a reprodução. Segundo Kousky, algumas pessoas acham que ele ganhou muito pela quantidade de visualizações no vídeos, outras que ele ganhou pouco, mas o YouTuber afirma que o CPM para este vídeo em específico se manteve o mesmo, então não dá pra ele dizer se foi muito ou não.

Isso porque o valor de CPM pode variar de canal para canal, pois leva em conta qual é o assunto do vídeo (já que alguns assuntos chamam mais a atenção de anunciantes do que outros, e por isso pagam mais) e também qual é o tipo de público que aquele vídeo atrai (já que algumas demografias são mais interessantes para anunciantes do que outras). Assim, não é possível dizer com exatidão que o YouTube paga “tanto” a cada mil visualizações, pois esse valor pode variar bastante de canal para canal.

Isso pode ser notado ao se analisar dois vídeos diferentes com o mesmo número de visualizações: enquanto o YouTuber Austen Alexander recebeu um valor de US$ 6 mil em AdSense por um vídeo com um milhões de visualizações, um vídeo de outro YouTuber, Kevin David, com o mesmo número de visualizações gera uma receita de US$ 40 mil. A diferença entre o CPM de cada um deles se deve principalmente ao conteúdo de seus canais: enquanto o de Alexander é basicamente um diário sobre a rotina dele como um membro da Marinha dos Estados Unidos, o canal de David é baseado em tutoriais de como vender e comprar produtos em lojas online. Como o conteúdo do segundo já é voltado para pessoas que já tem o interesse em comprar pela internet, mais anunciantes têm interesse em aparecer nos vídeos dele e, por isso, o CPM do YouTuber é maior.

Por isso, muitos YouTubers estudam como maximizar esses ganhos, tentando encontrar o tamanho de vídeo ideal e a quantidade máxima de anúncios que conseguem colocar em um único vídeo. É necessário achar o meio termo entre um número de publicidade que permita aumentar seus ganhos, mas também balancear esse fator, a ponto de não tornar a peça tão lotada de propagandas para quem está assistindo. Afinal, isso, muito provavelmente, fará com que as pessoas escolham abandonar o vídeo antes do fim.

Outra forma de conseguir uma grana extra é a venda direta de produtos e merchandising do canal, algo que é praticado por muitos YouTubers. Um dos casos é de Tana Mongeau, que após ser presa em 2017 no festival de música Coachella por posse de um drink alcoólico, vendeu cerca de US$ 40 mil em camisetas com o seu mugshot - a foto tirada pela polícia para fichá-la criminalmente.

Fonte: Canaltech

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