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YouTube vai limitar alcance de conspiração que liga 5G ao coronavírus

Felipe Demartini

O YouTube anunciou neste domingo que vai começar a limitar o alcance de vídeos que ventilem a conspiração que liga a tecnologia 5G à pandemia do novo coronavírus. Os conteúdos dessa natureza, segundo a empresa, podem não mais serem exibidos nas pesquisas da plataforma, além de perderem o direito à exibição de anúncios, também uma forma de desincentivar criadores a trabalharem em material assim.

A medida foi anunciada neste domingo (06), depois de relatos da polícia apontarem a depredação de mais quatro torres 5G no Reino Unido. Apenas nas principais cidades do país, o total de estruturas atacadas já chega a sete, com três delas sendo incendiadas ao longo da última semana na medida em que a conspiração começa a ganhar corpo por redes sociais, mensageiros instantâneos e, claro, o YouTube. Engenheiros que trabalham com a tecnologia também teriam sofrido ameaças.

Apesar disso, os primeiros relatos sobre a ideia vêm de fevereiro, quando o 5G foi apontado como o sinal ativador do coronavírus. O patógeno é sempre citado como arma biológica, mas suas origens variam — às vezes o sentimento é antiamericano, mas em outras, o inimigo é todo o mundo ocidentral. A origem seria Wuhan, uma das primeiras cidades chinesas a ter parte de seu território coberto pela conexão, ainda em fase experimental no país.

Segundo o YouTube, vídeos conspiratórios denunciados recebem as sanções rapidamente e estão sendo considerados como conteúdo “de limite”, que não necessariamente quebram os termos de uso da plataforma, mas geram danos por meio da desinformação. O serviço pede que seus usuários ajudem a denunciar conteúdos desse tipo, cujos canais também serão menos recomendados aos espectadores.

Mais do que espalhar notícias falsas e levar a danos ao patrimônio, operadoras de telefonia inglesa apontam que a destruição de torres 5G pode levar a buracos de comunicação e efetivamente dificultar a conectividade entre cidadãos e serviços de saúde. A Vodafone, por exemplo, apontou que alguns dos totens destruídos compartilhavam infraestrutura com a rede 4G, o que levou ao enfraquecimento do sinal e quedas na velocidade em algumas regiões atingidas.


Entretanto, não ajuda em nada o fato de celebridades estarem compartilhando relatos e vídeos sobre a suposta ligação entre o 5G e o coronavírus. O ator Woody Harrelson, por exemplo, divulgou textos e clipes sobre a conspiração, incluindo um “mostrando” chineses derrubando torres com uma motosserra — as imagens, na realidade, são dos protestos em Hong Kong e a estrutura destruída é um totem de reconhecimento facial do governo. O boxeador Amir Khan e a apresentadora de TV Amanda Holden também estão entre os famosos que levaram a ideia adiante.

De acordo com o YouTube, milhares de vídeos desinformativos sobre a pandemia do coronavírus já foram removidos da plataforma desde fevereiro. Em milhares de outros casos, um link foi adicionado à página levando a informações oficiais sobre a pandemia, de acordo com o país do usuário. Além disso, as ações de limitação de alcance teriam reduzido as visualizações desse tipo de conteúdo em 70% para os que permaneceram no ar.

Fonte: Canaltech

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