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XP dispara na bolsa dos EUA, mas manterá foco no Brasil, diz CEO

Ação da XP Inc dispara na estreia na Nasdaq

A plataforma de serviços financeiros XP, que fez sua estreia na bolsa norte-americana Nasdaq nesta quarta-feira (11), não planeja usar os recursos captados com a tranche primária de sua oferta de ações para comprar concorrentes, disse o presidente-executivo da companhia, Guilherme Benchimol.

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"Não temos planos de aquisição no radar", disse Benchimol em teleconferência com jornalistas. O executivo também descartou para breve planos da XP para entrar em outros mercados, enfatizando que o foco por ora é ampliar negócios no Brasil.

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Nesse sentido, a XP prioriza obter a licença para ter um banco próprio, o que lhe dará flexibilidade para ofertar mais serviços aos atuais clientes da plataforma, disse ele.

Benchimol disse ainda que avalia futuramente listar ações da XP também na bolsa brasileira B3, quando eventualmente houver uma regulamentação sobre o chamado voto plural, que permite que alguns sócios tenham mais poder do que outros.

A ação da XP disparava cerca de 26% por volta das 17h (horário de Brasília), cotada a 33,99 dólares, após ter precificado seu IPO na véspera a 27 dólares por papel, acima da faixa inicial prevista pela companhia, de 22 a 25 dólares cada, e que avaliou a empresa em cerca de 15 bilhões de dólares. O IPO movimentou 2,25 bilhões de dólares. Cerca de metade disso da oferta primária.

A abertura de capital da XP marcou o quarto maior IPO dos Estados Unidos e a maior operação do tipo de um grupo brasileiro neste ano.

A demanda de investidores pelas ações da XP superou 14 vezes a oferta, segundo dados da Reuters. Por conta disso, a companhia foi avaliada a cerca de 60 vezes o lucro anualizado de 2019. Em contraste, as norte-americanas TD Ameritrade é negociada a cerca de 13 vezes seus resultados, de acordo com a Refinitiv, e a Charles Schwab carrega múltiplo de cerca de 18 vezes.

Fundada em 2001 como uma assessoria financeira independente, a XP acumula mais de 1,5 milhão de clientes e 350 bilhões de reais sob gestão.

A operação de terça-feira marcou a segunda vez que a XP buscou o IPO. Em 2017, a empresa estava perto de listar suas ações quando fechou um acordo com o Itaú Unibanco, que pagou 6,3 bilhões de reais em dinheiro e ações por uma participação de 49,9% na empresa.

Nos nove primeiros meses de 2019, a XP teve receita total de 3,44 bilhões de reais, enquanto o lucro líquido atingiu 692 milhões.

O IPO da companhia foi assessorado por Goldman Sachs, JPMorgan Chase & Co, Morgan Stanley, Itaú BBA, XP Investments, BofA Securities, Citigroup, Credit Suisse e UBS.

Na visão da equipe do Safra, o sucesso do IPO da XP chancela a perspectiva do mercado de que a empresa continua apresentando altas taxas de crescimento, se beneficiando da intermediação dos bancos no universo de investimentos, conforme nota a clientes.

"Acreditamos que o IPO traga um resultado positivo também para o Itaú Unibanco, de cerca de 1,2 bilhão de reais, com a reavaliação da participação do Itaú no patrimônio da XP. No entanto, merece destaque que a participação atual do Itaú na XP de 46% está avaliada em 28,4 bilhões de reais (considerado resultados não realizados), valor muito superior aos 6,3 bilhões de reais investidos pelo Itaú em meados 2017."