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XP marca debêntures da Rodovias do Tietê a zero

Ana Paula Ragazzi

Segundo a concessionária, 18 mil pessoas físicas possuem esses títulos de dívida A XP informou aos clientes que marcou o preço das debêntures da Rodovias do Tietê a “zero”, por conta da declaração do vencimento antecipado da dívida da empresa, que acabou culminando com um pedido de recuperação judicial na semana passada. De acordo com informações de mercado, todos os fundos que possuem os papéis na carteira fizeram o mesmo ontem.

Carros transitam na SP-300, cuja concessão está com a Rodovias do Tietê

Reprodução/Rodovias do Tietê

Em junho, a XP havia congelado o saldo dos debenturistas, por conta das dificuldades enfrentadas pela concessionária. Naquele momento, a mensagem foi de que a remuneração prevista para a debênture, de IPCA + 8%, não era mais condizente com o negócio e não seria mais utilizada para corrigir os valores que os debenturistas têm a receber.

Em vídeo sobre o assunto, os analistas da XP Thales Tarré e Mirian Abe detalharam a situação atual da Rodovias do Tietê. Tarré informou que o papel seria marcado a zero, dentro da política da XP, pelo fato de não existir mais um fluxo esperado de pagamentos pela empresa.

O entendimento da XP, disse ele, é que ativos com vencimento antecipado declarado e que não tenha realizado o pagamento da dívida, ou seja, estejam em default, precisam ser marcados a zero pois, por mais que tenha um valor a recuperar, não se sabe quanto ou quando algum valor será recuperado.

Segundo o pedido de recuperação judicial da Rodovias do Tietê, existem 18 mil pessoas físicas com essas debêntures. Apesar de a empresa estar com problemas há pelo menos dois anos, os papéis só foram marcados a mercado em junho. A XP, por ter papéis em alguns fundos, está entre os investidores que tentam negociar a reestruturação e avaliou que o pedido de recuperação judicial seria a única forma de levar adiante esse processo.

Por conta dos quóruns das debêntures, a reestruturação da dívida da empresa, de R$ 1,4 bilhão, deveria ser aprovada pela unanimidade dos debenturistas em assembleia, o que se mostrou inviável. Via recuperação judicial, a aprovação se dá por maioria, por isso a empresa teria optado por esse caminho.