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Xiaomi quer impedir que usuários extraiam dados APK de apps

A Xiaomi não quer mais que usuários consigam extrair arquivos APK de aplicativos no Android. Um engenheiro da companhia submeteu uma proposta para o Android Open Source Project (AOSP) que, na prática, impediria que programas fossem analisados de forma manual, supostamente para proteger “recursos privados”.

A manipulação de arquivos APK é uma das características mais fundamentais do Android e uma das diferenças mais importantes para a contraparte da Apple, o iOS. O livre acesso ao apps por arquivos dá mais liberdade para o usuário de várias formas: baixar programas em versões antigas (para fugir de bugs, talvez), optar por outra loja além da Play Store, baixar apps pelo PC e transferir para o celular via USB para poupar dados e muito mais.

Ainda que não tenha impacto direto, a limitação na extração de dados em APK dificultaria o sideloading (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)
Ainda que não tenha impacto direto, a limitação na extração de dados em APK dificultaria o sideloading (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

A proposta da Xiaomi, porém, vai totalmente contra esse conceito: a adição de uma política SELinux para bloquear a extração de dados de aplicativos. “O APK pode incluir alguns recursos privados, portanto, não devemos permitir que outros o extraiam”, explicou na sugestão.

Google é contra a ideia

Entretanto, o Google não deu um parecer favorável ao conceito. Em uma resposta, um funcionário da empresa menciona que a restrição iria atingir somente usuários comuns, uma vez que entusiastas e curiosos facilmente poderiam optar por distribuições alternativas do sistema para continuar extraindo dados de apps em APK.

“Não acho que deva haver uma expectativa de que o conteúdo de um APK permaneça em segredo. Não sei por que desejaríamos isso, e mesmo que quiséssemos, não há como garantir isso, mesmo com essa mudança”, pontuou o googler.

Xiaomi pode persistir

Se a empresa estiver realmente interessada na ideia, ela pode implementá-la nas próximas versões da MIUI — distribuição alternativa do Android instalada de fábrica nos celulares da marca. Neste caso, o Google não tem muito controle sobre as decisões da empresa, apesar de rejeitar a sugestão enviada ao AOSP.

Contudo, não há confirmações de que essa política será implementada — ao menos, não por enquanto. É válido ficar atento ao andamento desse processo e nas próximas compilações de sistemas da Xiaomi, pois essa restrição não deve ser algo que a empresa deve anunciar como grande novidade.

Fonte: Canaltech

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