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Xi retorna ao palco mundial com Putin para fazer frente aos EUA

(Bloomberg) -- Nos quase 1.000 dias desde que Xi Jinping viajou para o exterior pela última vez, a China se viu cada vez mais isolada dentro da ordem mundial liderada pelos EUA. Ele está finalmente de volta esta semana ao lado de Vladimir Putin para mostrar sua visão de uma alternativa viável.

Xi e Putin devem ter seu primeiro bate-papo em pessoa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, mostrando que Pequim vê o relacionamento como crucial para fazer frente aos EUA. O encontro será durante um fórum de segurança financiado pela China, programado para quinta e sexta-feira no Uzbequistão. O evento reúne países que vão desde Índia ao Irã — um agrupamento que visa acelerar a formação de um mundo multipolar.

Antes disso, Xi na quarta-feira fará uma parada no Cazaquistão, país onde ele anunciou há nove anos seu plano de integração comercial através de um cinturão de infraestrutura até a Europa. Desde então, essa iniciativa de política externa tornou-se um ponto focal dos EUA e seus aliados do G7, que em junho anunciaram US$ 600 bilhões em financiamento para que países de baixa e média renda tenham uma alternativa ao investimento chinês.

Ambas as paradas reforçarão a visão de Xi de um mundo onde a China pode expandir seus interesses sem temer a ameaça de pressão econômica ou militar dos EUA. O líder chinês irá expor essa agenda em um congresso do partido no próximo mês, durante o qual ele deve garantir um terceiro mandato como líder da segunda maior economia do mundo.

“Xi Jinping está tentando reorientar os assuntos globais em uma direção que tire as instituições ocidentais do centro e promova agrupamentos e instituições que sejam mais favoráveis aos interesses e visão de mundo da China”, disse Trey McArver, cofundador da empresa de pesquisa Trivium China. A reunião de Xi com Putin, acrescentou, “envia um sinal muito claro de que a China continua a se inclinar para o lado da Rússia nesse conflito”.

Há bastante em jogo tanto para Xi quanto para Putin, que declararam uma amizade “sem limites” apenas algumas semanas antes de a Rússia invadir a Ucrânia em fevereiro. Nos últimos dias, Putin viu a Ucrânia repelir as forças russas e retomar grandes extensões de terra, enquanto Xi está sob pressão para adotar medidas mais fortes para impedir que Taiwan impulsione as relações com os EUA e seus aliados.

A China até agora evitou fazer qualquer coisa que a tornasse alvo de sanções americanas ou ajudasse a Rússia a vencer a guerra, mas Pequim tem dado apoio diplomático a Putin e aumento o comércio com seu vizinho do norte. O interesse da China em ajudar a Rússia parece mais voltado a desfiar as manobras dos EUA que também poderiam um dia ser usadas contra Pequim.

Após uma reunião na segunda-feira com o embaixador russo Andrey Denisov, o principal diplomata chinês, Yang Jiechi, disse que os dois países devem trabalhar para “promover o desenvolvimento da ordem internacional em uma direção mais justa e razoável”.

“A China não se prontificou a fornecer à Rússia armas ou eletrônicos avançados durante a guerra”, disse. Iikka Korhonen, chefe de pesquisa do Instituto para Economias em Transição do Banco da Finlândia. “Eles estão atentos para não violar essas ações, pelo menos não de maneira óbvia, então há limites sobre o que esses chamados aliados estão dispostos a fazer.”

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