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Xi critica intervencionismo externo em recado aos Estados Unidos na ONU

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em recado aos Estados Unidos, mas sem citar o país nominalmente, o líder chinês, Xi Jinping, criticou o intervencionismo americano em outras nações em seu discurso na 76ª Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (21).

O líder do regime comunista chinês usou, também sem dizer o nome do país, o exemplo da turbulenta retirada das tropas americanas do Afeganistão após 20 anos de ocupação militar. "Episódios recentes no cenário internacional mostram, mais uma vez, que a intervenção militar estrangeira e a chamada 'transformação democrática' podem não trazer resultado nenhum além de dano", disse, referindo-se implicitamente ao retorno do Talibã ao poder no país.

O líder disse ainda que "democracia não é um direito especial reservado a um país" para intervir em outros países.

Horas antes do discurso de Xi, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também havia feito uma série de críticas à China sem citar o nome do país, ao dizer, por exemplo, que vai se opor à "tentativas de países mais fortes de dominar outros mais fracos". Apesar de deixar clara sua posição, Biden defendeu que todos os países trabalhem juntos para conter as mudanças climáticas e para que o mundo supere a pandemia da Covid-19.

Foi esse o mesmo tom do discurso de Xi, que defendeu que "diferenças e problemas entre países precisam ser desenvolvidas por diálogo e cooperação na base da igualdade e do respeito mútuo", ainda que tenha se referido de forma implícita várias vezes ao intervencionismo americano.

"A China nunca invadiu nem nunca vai invadir ou humilhar outro país ou tentar alcançar a hegemonia. A China constrói paz, contribui para o desenvolvimento global e defende a ordem internacional", disse.

Segundo o líder do gigante asiático, "o sucesso de um país não deve significar o fracasso de outro país. O mundo é grande o suficiente para acomodar progresso de todos os países. Precisamos buscar o diálogo e a inclusão, não o confronto e a exclusão. Devemos construir um novo tipo de relações internacionais baseado no respeito mútuo, equidade, justiça e cooperação."

Na abertura da sessão, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia alertado para os problemas, em suas palavras, de uma divisão global em dois sistemas.

"Receio que nosso mundo esteja indo em direção a dois conjuntos de regras econômicas, comerciais, financeiras e de tecnologia, duas perspectivas de desenvolvimento de inteligência artificial e no limite duas estratégias militares e geopolíticas. Essa é a receita para problemas. Isso seria muito mais imprevisível do que a Guerra Fria", afirmou.

Xi dirigiu boa parte de seu discurso aos países emergentes, e prometeu doar 100 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 além das 100 milhões já anunciadas pelo consórcio Covax Facility. Ele também prometeu doar US$ 3 bilhões para promover a recuperação de países pobres fortemente afetados pela doença. Xi propôs ainda a criação de um fórum com uma agenda global pelo desenvolvimento, para acelerar a implementação da agenda 2030 da ONU.

Assim como Biden, o líder chinês dedicou parte de seu discurso às mudanças climáticas, reafirmou o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono até 2060 e disse que o país não vai financiar projetos mundo afora que usem energias baseadas em carvão.

O líder chinês não viajou a Nova York para participar do evento, como fez Bolsonaro, e mandou seu discurso gravado por vídeo. O país trabalha com uma estratégia de tolerância zero com a Covid, e isola regiões inteiras ao identificar casos.

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