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Woody Allen | 7 grandes filmes do polêmico diretor novaiorquino

Claudio Yuge

Após vários atrasos e problemas com o Amazon Studios, Woody Allen lança neste mês de novembro Um Dia de Chuva em Nova York, filme que o leva de novo ao seu reduto predileto e que ficou cercado de polêmicas. Ele sofre acusações de assédio de sua filha, Dylan Farrow, que veio à tona junto com o movimento feminino #MeToo, e basicamente estagnou sua carreira. Esse último longa, aliás, demorou a sair por conta de imbróglio judicial com a companhia de Jeff Bezos.

Embora Allen, aos 83 anos, viva esse momento delicado, não dá para negar que suas obras marcaram época no cinema e são um recorte da realidade de cada fase do cineasta. Com uma extensa lista de trabalhos, inclusive na literatura e no teatro, muitos de seus filmes ganharam estatuetas em festivais e premiações, como no Oscar, Bafta, Cannes, Veneza, César e Globo de Ouro.

Mesmo depois do sucesso, os lançamentos de Allen sempre foram muito mais associados a um mercado alternativo e independente do que exatamente produtos do mercado mainstream. Por isso, ele consegue transitar nas salas de exibição comerciais e faz (ou fazia) muito sucesso no circuito underground.

Pensando nisso, o Canaltech listou sete dos melhores longas que Allen dirigiu até hoje — lembrando que ele também atuou em seus filmes e até mesmo em outros no início de carreira, como a primeira versão de Cassino Royale (1967), famosa trama de James Bond:

1. Tudo O Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Medo de Perguntar) (1972)

Os afrodisíacos funcionam? O que é sodomia? O que são perversões sexuais? Essas e outras perguntas são transformadas em divertidas esquetes humorísticas em uma adaptação do livro de David Reuben.

Aqui, Allen está em começo de carreira e cheio de vigor e ironia. O título foi um dos catalisadores de sua carreira e vale não somente para dar muita risada como também para ver como o tema sexualidade mudou no mundo nas últimas décadas.

2. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Um comediante judeu desiludido após divórcio encontra Annie Hall (Diane Keaton), cantora de início de carreira que vive momentos meio confusos, como qualquer jovem de sua idade. Depois de começar um romance, ambos decidem morar juntos, o que dispara uma série de crises conjugais.

Esta é talvez uma de suas obras mais emblemáticas, e também a mais premiada: ganhou Oscar de Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original, além de várias outras estatuetas mundo afora. Foi aqui que o mundo parou para prestar atenção nos diálogos de Allen, extremamente habilidoso com o texto.

3. Manhattan (1980)

Mais uma vez, Allen interpreta um homem de meia-idade frustrado que encontra amor em uma jovem mulher. Ao deixar sua terceira esposa, um roteirista com sentimentos confusos se apaixona por uma adolescente de 17 anos.

O filme vale não somente pelo roteiro, mas também pela atuação de Mariel Hemingway e de uma jovem Meryl Streep, além de cravar alguns dos elementos que se tornariam características recorrentes na carreira do cineasta — como o fato de grande parte de suas histórias acontecer em Nova Iorque, quase uma personagem em suas tramas.

4. A Rosa Púrpura do Cairo (1986)

A história acontece nos anos 30, durante a Grande Depressão, e traz alguns elementos noir em uma trama que gira em torno de uma garçonete e sua obsessão por seu filme predileto, que dá nome ao longa.

A interpretação de Mia Farrow e a metalinguagem do ator que deixa a própria tela para viver um romance com a protagonista tornam essa uma das obras mais leves e divertidas de Allen, flertando com o realismo fantástico.

5. Poderosa Afrodite (1996)

Um pai adotivo encontra a mãe biológica de sua criança e descobre que ela, bem, não é exatamente quem ele esperava. A prostituta Linda, que usa o nome de Judy Cum em filmes pornográficos, é levada a acreditar, então, que pode adotar um estilo de vida diferente.

Aqui, Allen explora mais uma vez sua relação com Nova Iorque e marca, mais uma vez, sua paixão por determinados atores, que ao longo dos anos o acompanham em outros filmes. Desta vez é Mira Sorvino, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel de Linda.

6. Igual a Tudo na Vida (2003)

Um aspirante a escritor se apaixona por uma jovem excêntrica (Christina Ricci) e mais tarde se apaixona por uma psiquiatra (KaDee Strickland) que acabou de perder um filho no parto. As questões existenciais desses três personagens e o triângulo amoroso ditam o ritmo do longa, que acontece em Nova Iorque.

O mais importante desse título é o fato de, pela primeira vez, Allen deixar o papel que normalmente interpreta para outro ator, neste caso, Jason Biggs. A partir daqui, ele passou a fazer esse exercício com mais frequência.

7. Meia-Noite em Paris (2012)

Um roteirista norte-americano leva sua noiva e a família dela à Paris, cidade que pela qual ele nutre certo fascínio. Ao passear sozinho pela noite parisiense, descobre que à meia-noite consegue voltar aos anos 20, época que encontra intelectuais e artistas que admira, como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Salvador Dali.

Aqui, podemos ver uma combinação de várias fases de Allen, incluindo o período que suas tramas deixaram Nova Iorque e passaram a acontecer na Europa. Ele flerta novamente com o realismo fantástico e a musa da vez é Scarlett Johansson; quem vive seu papel é Owen Wilson. Talvez tenha sido seu melhor filme nos últimos anos. Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original.

Curtiram a lista? A carreira de Woody Allen é longa, com muitos filmes, então possivelmente faltou algum dos seus favoritos. Diz para a gente nos comentários quais são os que mais gosta!

Fonte: Canaltech

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