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Witzel pretende declarar situação de emergência no Rio de Janeiro

Gabriel Vasconcelos

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), informou há pouco em coletiva de imprensa que o governo fluminense vai “consolidar propostas” para declarar situação de emergência no Estado do Rio. “Vamos aperfeiçoar o decreto atual. Estarei agora consolidando as propostas para declarar situação de emergência no estado do Rio de Janeiro”, disse. “Não estamos fazendo nenhum tipo de fantasia, briga, política ou ideológica. Ficou definido que o atendimento em bares e restaurantes será reduzido em um terço”, afirmou o governador.

Segundo Witzel, poucas pessoas poderão estar em bares e restaurantes. “A recomendação é que a comida seja comprada através de serviço de entrega. As pessoas que forem comprar comida devem pegar e levar para casa”, disse.

As medidas vão atingir outros setores do comércio além do de alimentação e bebidas, acrescentou ele. “Shopping centers vão reduzir funcionamento para um turno. Estamos consolidando outras medidas para restringir ainda mais a mobilidade das pessoas”, afirmou.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, em entrevista sobre as medidas contra o coronavírus

Divulgação

Outro aspecto mencionado pelo governador é o fato de que, com as ações, isso na prática deve conferir impacto aos negócios no Rio de Janeiro.

De acordo com Witzel, medidas estão sendo tomadas para compensar isso. “Vamos disponibilizar, do pouco que temos, para não agravar ainda mais a situação, R$ 320 milhões para ajudar pequenas e micro empresas e empregadores individuais, as que mais sofrem. Vamos ajudar com financiamento com carência de 12 meses”, afirmou. “A situação de emergência será declarada assim que eu fizer a leitura do decreto, ainda hoje”, completou.

O governador cobrou ajuda do governo federal para que o Estado consiga lidar com o impacto do avanço do novo coronavírus na economia do Rio. “Não há como suportar [o período de combate à nova doença] sem que União venha a socorrer [os estados]. R$ 36 milhões [que chegaram pela verba do Ministério da Saúde] para o Estado do Rio é muito pouco. Estimamos um gasto da ordem de R$ 1 bilhão [no Estado]”, afirmou.

O governador comentou que os cofres do Rio de Janeiro estão lidando com regime de recuperação fiscal; queda de receita originada do ICMS; e da queda dos royalties do petróleo. “Precisamos de uma solução emergencial e a solução será injetar pelo menos R$ 50 bilhões na economia dos estados. Desde ontem estamos conversando com o ministro [da Economia] Paulo Guedes e soube ontem que já está em contato com o secretário de estado para receber as demandas”, completou.

"Medidas mais enérgicas"

Witzel também alertou que ele e outros governadores podem ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir que “medidas mais enérgicas” possam ser efetuadas no Estado do Rio, em suas ações de combate ao avanço da covid-19. O governador concedeu entrevista coletiva para falar sobre o tema.

“Eu quero pedir pelos que vão ser os mais atingidos, que são os mais velhos. No Congresso Nacional, eu disse que haveria possibilidade de internação compulsória. Chegou o momento em que se medidas mais enérgicas tenham de ser tomadas, não serei eu sozinho. Eu e outros governadores vamos ao Supremo Tribunal Federal [STF]”, afirmou.

Ao ser questionado se o fórum dos governadores irá condenar a ida do presidente da República Jair Bolsonaro a protestos, ontem, em defesa de seu governo – mesmo com recomendação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de evitar aglomerações neste momento, o governador não respondeu diretamente. “Nosso momento agora é defender o povo, cada um dos nossos estados desse terrível vírus. Para evitar que num rápido momento a doença se propague e atinja os idosos. Não desafie a doença, quem desafiou está chorando seus mortos”, afirmou.

Outro aspecto mencionado pelo governador é o avanço progressivo da doença, que segundo projeções mencionadas por ele pode escalar de forma avançada. “Se nada for feito, em três semanas, vamos ter mais de 20 mil infectados e mil pessoas terão de ser internadas. Nós teremos 300 leitos instalados no Rio, podendo chegar a 600 nas próximas semanas”, completou.

Ainda de acordo com o governador, decreto sobre situação de emergência no estado, por conta do covid-19, em que consta estabelecimento de redução de uma série de serviços na economia do Estado, deve sair ainda hoje.