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Witzel diz que enfrenta processo de impeachment “de cabeça erguida”

Alessandra Saraiva
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Governador voltou a negar acusações de corrupção que provocaram pedido de afastamento Pedido contra Witzel avança em direção ao plenário Valor O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), usou o Twitter nesta quinta-feira fazer uma série de postagens sobre a aprovação do processo de impeachment contra ele, na quarta, pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). Em seu perfil na rede social, Witzel voltou a negar as acusações de corrupção que deram origem ao pedido de impeachment e afirmou enfrentar todo o processo "de cabeça erguida". "Enfrento esse processo de impeachment de cabeça erguida porque nunca compactuei com a corrupção em toda a minha vida", afirmou. "Provarei minha inocência mesmo sofrendo um linchamento moral e político a partir da palavra, sem provas, de delatores, ou seja, de bandidos confessos." Initial plugin text Witzel se refere ao ex-secretário de Saúde Edmar Santos, afastado do cargo, em maio, e preso pela Polícia Federal (PF), em julho, por suspeita de irregularidades em contratos da pasta relacionados ao combate à pandemia de covid-19. Santos foi solto após firmar acordo de delação premiada. Antes da votação do processo de impeachment, na quarta-feira, Witzel já estava afastado do cargo, desde 28 de agosto, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O afastamento foi realizado no âmbito da operação Tris in Idem, da PF, desdobramento da Operação Placebo, que investiga suposto esquema de corrupção em contratos públicos fluminenses, principalmente na área da saúde. Uma das origens de informação que deram origem à operação foi a delação do ex-secretário de Saúde. Além de comentar sobre afastamento, o governador, que era juiz antes de ser eleito, voltou a criticar o Ministério Público e o Judiciário. "Afastar um governador do mandato da forma como fazem comigo hoje é matar a democracia. Quem serão os próximos? A escolha será do Ministério Público, com suas teorias especulativas que vendem jornais", acusou o governador. "MP e Judiciário devem estar distantes do debate político. O MP não pode ditar políticas públicas nem decidir quem deve ou não exercer a função outorgada pelo voto popular. Se as casas políticas não reagirem, seremos todos governados por liminares e por especulações", completou ele, em suas postagens. Initial plugin text O político ressaltou ainda o volume de seu eleitorado, que o conduziu ao cargo nas últimas eleições. Na análise de Witzel, a escolha do voto não poderia ser preterida por questões judiciais. "Os mais de 4,6 milhões de votos que os fluminenses me deram não podem ser anulados por alegações criminais que sequer foram objeto de denúncia recebida. Enquanto isso, os delatores estão em liberdade e usufruindo do produto dos seus crimes, rindo do povo. Tudo com a benção do MPF", afirmou. Ele voltou a falar que não teve oportunidade de se defender das acusações no STJ, onde entrou com recurso contra o processo de impeachment, e encerrou sua série de postagens afirmando que a decisão da Alerj foi "um grande erro". "O estrago na minha imagem política foi feito. E, infelizmente, a Alerj, pressionada pelas redes sociais, está cometendo um grande erro, cuja História há de demonstrar." Com a aprovação do processo de impeachment ontem, o resultado foi publicado no Diário Oficial do Estado. Agora, será formado tribunal misto, com cinco parlamentares e cinco membros do Judiciário. Nessa etapa, o governador é afastado por 180 dias enquanto o tribunal analisa a questão.