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WhatsApp lança serviço de transferência em parceria com grandes bancos

PAULA SOPRANA E ISABELA BOLZANI
·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após nove meses de negociação como BC (Banco Central), o WhastApp anuncia nesta terça-feira (4) um serviço de transferência bancária gratuita entre usuários no Brasil. Quase um ano após a tentativa frustrada de lançamento, o recurso estreia com a parceria de três dos cinco maiores bancos do país: Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.

Não entraram na parceria Santander e Caixa Econômica Federal.

A opção começa a ser disponibilizada gradualmente nas próximas semanas. O Brasil é o segundo maior mercado do aplicativo de mensagens no mundo, com mais de 120 milhões de pessoas, perdendo apenas para a Índia, que tem 400 milhões.

Usuários que tiverem cartões de débito, pré-pago ou combo das instituições Banco do Brasil, Banco Inter, Bradesco, Itaú, Mercado Pago, Next, Nubank, Sicredi e Woop Sicredi, com as bandeiras Visa e Mastercard, poderão transacionar dinheiro pela plataforma. O processo é todo feito no aplicativo e não cobra taxas.

A operação das transações é feita pela Cielo. Cartões de crédito não são válidos.

Em junho do ano passado, o WhatsApp anunciou o serviço junto a uma opção de pagamentos para empresas. O Banco Central vetou os dois tipos de operação.

Na época, o sistema contava com as bandeiras Visa e Mastercard, a Cielo como operadora, e as instituições Banco do Brasil, Nubank e Sicredi.

Poucos dias depois, a Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o BC suspenderam o acordo entre a empresa e as instituições financeiras, alegando dúvidas sobre a natureza do serviço e solicitando esclarecimentos sobre o modelo de negócios.

Houve especulação no mercado de que o BC teria acatado uma reclamação dos grandes bancos privados sobre a solução e, ainda, barrado o serviço para proteger o Pix, sistema de pagamentos instantâneos da autoridade monetária que foi lançado depois, em novembro de 2020. Na época, a autoridade monetária negou.

Em março deste ano, a instituição incluiu o Facebook, dono da plataforma, na categoria de iniciador de transações de pagamentos, uma espécie de instituição de pagamentos, o que permite o repasse de dinheiro entre CPFs.

O pagamento a empresas, que tem potencial direto de ganhos ao WhatsApp (prevê uma taxa de 3,99% por transação) ainda não foi aprovado. "A companhia continua trabalhando junto ao Banco Central para disponibilizar pagamentos para empresas", diz o WhatsApp.

O Brasil é o segundo país a receber o recurso de transferências, somente disponível na Índia. Em um vídeo gravado para o país, Mark Zuckerberg, presidente-executivo da companhia, afirmou que "pagamentos digitais são muito importantes nesse momento", que são mais seguros do que pagar com dinheiro vivo e que dispensam fila de banco.

"Este é um dos primeiros países do mundo a ter pagamentos no WhatsApp. Isso porque sabemos o quanto o WhatsApp é importante para o Brasil", diz.

O sistema funciona a partir do Facebook Pay, um modelo que integra as informações de pagamentos de WhatsApp, Facebook e Instagram. Segundo Zuckerberg, é um "método simples e seguro de enviar dinheiro em uma conversa", fazer uma doação ou comprar nas lojas disponíveis nas plataformas.

Os representantes dos bancos parceiros destacam que a opção serve como uma praticidade a seus clientes, que terão outra forma de transferir sem pagar taxas, o que se tornou viável desde o lançamento do Pix, em novembro, que logo se popularizou.

Segundo Marcos Valério diretor do Bradesco Cartões, o serviço "acelera o processo de digitalização democrática dos meios de pagamento".

Já para João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard no país, "até 2030, 55% dos brasileiros esperam que todas as transações financeiras sejam realizadas em tempo real", o que explica a adesão ao serviço.

Por enquanto, o WhatsApp não pretende ganhar dinheiro direto com a operação, de acordo com Matt Idema, diretor de operações do WhatsApp em entrevista à reportagem.

"Pagamos uma taxa pequena para as bandeias de cartão de crédito, mas a ideia não é gerar lucro com esse serviço. Há anos pesquisas mostram que as pessoas querem mandar dinheiro para famílias e amigos, e não queremos incluir taxas que dificultem esse processo", afirma Idema.

No longo prazo, o Facebook se beneficia por ter entrado cedo neste mercado enquanto ainda é, de longe, o aplicativo de mensagens mais usado entre os brasileiros.

Para Yasodara Córdova, pesquisadora de internet na Kennedy School, em Harvard, esse modelo enforca a competição antes mesmo de ela começar."

A vantagem competitiva do WhatsApp é uma base de dados gigante sobre o que as pessoas fazem —mesmo que não seja possível ler o conteúdo das mensagens. Com Facebook, WhatsApp, Instagram e outros aplicativos, criam um monopólio de dados que dificilmente abrirão a competidores", afirma.

O WhatsApp é um dos poucos serviços incorporados gratuitamente em planos de operadoras de celular, sendo acessado por qualquer pessoa de forma gratuita.

Os cartões de débito movimentaram R$ 762,4 bilhões no Brasil em 2020, segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), crescimento de 14,8% em relação ao ano anterior.

Segundo o Sicredi, 5 milhões de associados poderão utilizar a funcionalidade. Banco do Brasil afirma que 23,3 milhões de cartões de clientes têm a função débito ativada. No Nubank, são 29,5 milhões com cartão combo e, no Inter, 10 milhões. Itaú e Bradesco não abriram os números.

Em termos de segurança, a transferência no Facebook Pay exige uma senha de seis dígitos ou a biometria em dispositivos compatíveis. O serviço de pagamentos é disponibilizado na última versão do WhatsApp.