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WhatsApp diz que é impossível implantar recursos contra a propagação de mentiras na rede

WhatsApp afirmou que é impossível implantar recursos que impeçam a propagação de notícias falsas em sua plataforma (Pixabay)

Envolvido em uma das maiores polêmicas dessas eleições, o WhatsApp afirmou que é impossível implantar recursos que coíbam a propagação de notícias falsas em sua plataforma. Uma reportagem divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo na última quinta-feira, 18, apontou que empresários bancaram a compra de pacotes de distribuição de mensagens contra o PT, partido de Fernando Haddad, que disputa o segundo turno com Jair Bolsonaro, em um serviço de disparo de mensagens em massa.

Um porta-voz do WhatsApp afirmou que não tem planos de implantar um recurso já utilizado na Índia, que restringe o encaminhamento de mensagem para 5 pessoas, e não as 10 atuais.  O aplicativo afirmou também que não deve aceitar as sugestões de pesquisadores e especialistas em ambientes digitais no Brasil para conter o avanço das fake news nas eleições. Entre as medidas sugeridas estão a redução do número de grupos que alguém pode criar e o de pessoas que podem participar dos grupos.

Mudanças no app levam tempo

Em entrevista à BBC Brasil, o porta-voz explicou que uma mudança no app leva meses para acontecer, o que impossibilita sua ação antes das eleições. “Primeiro, para qualquer mudança, fazemos testes em pequena escala para testar a estabilidade. Depois, colocamos as alterações no aplicativo público, mas isso é feito lenta e gradativamente, porque temos 1,5 bilhão de usuários. Depois disso, os usuários precisam atualizar a versão do aplicativo em seus celulares para que as novas ferramentas apareçam. Então, o processo leva meses”, explica.

Ele explica que o limite de compartilhamento de mensagens realizados na Índia foi um teste e que os usuários não gostaram da novidade. “Isso não é algo que estejamos pensando em implementar no Brasil e seria tecnicamente impossível fazê-lo a uma semana das eleições”, declara.

WhatsApp baniu centenas de milhares de contas

O aplicativo afirma que baniu “centenas de milhares de contas somente no período eleitoral” e que tem investido em ferramentas para detectar comportamentos suspeitos. “São algoritmos inteligentes que vão percebendo padrões e melhoram com o tempo”, explica. Questionado sobre a denúncia realizada pelo jornal na quinta-feira, o porta-voz afirmou que está investigando o caso. A empresa afirma, no entanto, que não é possível identificar quando um usuário banido cria outra conta.