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#Wewillrocyou: Putin tenta virar o jogo após punição à Rússia nos esportes

·4 minuto de leitura

LONDRES — O castigo não poderia ser mais humilhante para esta que é uma das maiores potências esportivas do mundo. O crime era grave: anos de uso de doping entre os atletas de elite, a antítese do fair play. Sem poder se apresentar como Federação Russa, empunhar a bandeira da país ou ouvir o hino nacional todas as vezes — e não foram poucas — que subiu ao pódio nos últimos dias, os russos deveriam se conformar em ser chamados de ROC, a sigla em inglês para Comitê Olímpico da Rússia, o nome anódino que a delegação de 335 atletas pode usar para competir nas Olimpíadas de Tóquio. Mas no país onde a excelência nos esportes é sinônimo da marca russa e instrumento de geopolítica, o governo do presidente Vladimir Putin vem fazendo do limão azedo da punição uma limonada.

Mais do que nunca, a participação da equipe nacional está dando o que falar. E não foi só pelo fato de ser a sexta com o maior número de medalhas abocanhadas até agora. O Kremlin saiu em campanha para engajar os cidadãos e garantir o reconhecimento do bom desempenho de seus atletas. Em vídeo que divulgou nas redes sociais, a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, de salto agulha e cabelos bem penteados, parte para uma entrevista com jornalistas.

O filme começa com a servidora golpeando, com luvas de boxe, o boneco de pancada que estampa a palavra “imprensa” na altura do abdômen. Corta, e ela está em um auditório respondendo a perguntas. Diz que o status neutro não quer dizer nada. Sobre o que acha de se tocar o concerto nº 1 do compositor russo Pyotr Tchaikovsky no lugar do hino, afirma que vão todos ouvir muita música clássica. Ao final, se vira para a câmera, diz que os atletas são amados e faz trocadilhos com dois ícones ocidentais do tempo da Guerra Fria. No primeiro, fala “We will ROC you”, o conteúdo da hashtag que vem sendo promovida pelas autoridades locais. Uma referência à sigla da equipe nacional e à canção “We will rock you” (1974), eternizada pela banda inglesa Queen, uma das mais tocadas em eventos esportivos. No segundo, com o qual conclui sua participação no filme, ironiza: "From Russia with love”. Este é o título de um dos filmes do famoso agente secreto britânico James Bond, com Sean Connery no papel principal, no auge da tensão política entre a então União Soviética e os Estados Unidos e seus aliados. No Brasil, a película ganhou o nome de “Moscou contra 007”.

Olimpíadas são sempre combustível para discursos patrióticos inflamados. Fora dos Jogos Olímpicos, o país de Putin também vive sob sanções econômicas e políticas desde 2014, após a crise com a Ucrânia, quando a Rússia anexou a região da Crimeia.

— O esporte é mais do que nunca uma ferramenta política para o poder (na Rússia), o que a gente percebe com o caso do doping. O conflito geopolítico que seguiu entre os Estados Unidos e a Rússia mostra que a disputa entre as superpotências no mundo dos esportes, talvez a Guerra Fria em si, ainda não acabou por completo. As palavras usadas hoje lembram vigorosamente as utilizadas nos anos 1960, 1970, 1980 — analisa o especialista em geopolítica da Rússia e do Esporte, Lukas Aubin, da Universidade Paris Nanterre - Paris Lumières.

Ele cita como exemplo o fato de os Estados Unidos, ainda sob o comando do republicano Donald Trump, terem aprovado uma lei que permite criminalizar atletas, assim como seus respectivos países, que tenham usado doping em competições com participação norte-americana.

— É uma medida simbólica muito forte. Foi dirigida contra a Rússia.

Para Aubin, os esportes se tornaram um importante instrumento geopolítico no mundo inteiro. A estratégia não é novidade na Rússia. Era usada desde a União Soviética. Mas foi durante o governo do ex-presidente Dmitri Medvedev, em 2009, que se usou oficialmente, pela primeira vez, a expressão “sport power” como componente da diplomacia do esporte. Naquele momento, o governo investiu pesado em novas estratégias para o setor, que contou ainda com recursos da elite endinheirada do país.

Os anos 2000 viram o auge da decadência do segmento após o colapso do regime soviético. Era a sequência dos anos 1990, quando três mil treinadores e sete mil atletas de alto nível trocaram a então URSS pelos Estados Unidos, Europeia Ocidental ou Austrália, segundo Aubin.

Putin sabe que o bom desempenho esportivo rende frutos. E não apenas para a imagem do país no exterior. Depois de organizar as Olimpíadas de Inverno em Sochi, sua popularidade subiu para invejáveis 88%. Era a grande volta da Rússia ao Olimpo esportivo. Não por acaso, a tocha foi desenhada no formato de uma pena de Fênix, a mitológica ave que renasce das próprias cinzas.

— É fascinante de ver como o esporte é usado como as forças armadas. É um assunto de Estado — afirma Aubin.

Na Rússia, o canal Match só se refere aos atletas russos como “nossos”, como costumam falar da Crimeia desde que a região foi anexada. E a hashtag #wewillrocyou, pelo jeito, pegou.

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