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Weintraub diz que é preciso 'mudar as regras da república' para impedir 'paraíso esquerdista'

Agência O Globo
Brazilian Education Minister Abraham Weintraub delivers a speech during the International Youth Day celebration at Planalto Palace in Brasilia on August 16, 2019. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP via Getty Images)


Um dia após ter prestado depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ter permanecido calado, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, ofereceu uma palestra na qual diz ser preciso "mudar as regras da Nova República". Ele definiu o regime político brasileiro como uma "estrutura montada pela esquerda, oligarcas e corruptos".


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A declaração foi feita em uma exposição em vídeo disponibilizada para o congresso online do Movimento Brasil Conservador (MBC), que apoia o governo de Jair Bolsonaro. O evento está sendo realizado neste fim de semana e conta com palestras de vários investigados pela Polícia Federal no chamado inquérito das fake news. “Criou-se uma estrutura para levar o Brasil para um paraíso esquerdista. E como a gente resolve isso? Indo atrás dos oligopólios e monopólios, tendo coragem para enfrentar a discussão ideológica e mudando as regras da Nova República, porque elas foram montadas por um sistema que sempre vai gerar a mesma coisa”, declarou Weintraub.

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    O ministro afirmou que a esquerda é "inimiga dos valores e da razão" e que "tem nojo do lucro", que definiu como "sagrado, fruto do trabalho". Sem dar mais detalhes, também declarou que "esse pessoal do oligopólio está louco para criar o campeão nacional do Ensino Superior, já está tudo montado, falta só virar a chave". Assim como seu irmão Arthur Weintraub, assessor especial da Presidência, que palestrou na sexta-feira, o ministro questionou a separação dos Três Poderes, sistema sob o qual funcionam as repúblicas democráticas em todo o mundo. Para ele, Judiciário, Legislativo e "burocratas do Executivo" não conseguem impedir a captura do Estado pela esquerda corrupta.


    Arthur Weintraub, por sua vez, discorreu em sua palestra sobre a Revolução Francesa, criticou o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau e afirmou que a separação entre os Três Poderes numa república democrática, o Executivo, o Judiciário e o Legislativo, "não funcionam na prática". Apesar da afirmação, não deu mais explicações. “Esses iluministas começam a criar essa ideia de separação de poderes, sistema de freios e contrapesos, que na teoria é muito bonito, mas na prática muitas vezes não tem funcionado. Então, "ah, os Três Poderes são harmônicos, equilibrados"... A gente tem exemplos de que isso não acontece tanto. E esse sistema de poderes harmônicos, essa teoria do Estado, de pacto social, vai fortalecendo demais o Estado. E o Estado vai criando tecnologias de controle das pessoas, e de imposto, e de paternalismo. Se você reparar, o Estado começa a te controlar e te exigir imposto”, declarou o assessor da Presidência.


    A decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de determinar o depoimento do ministro da Educação foi tomada no inquérito que investiga, desde março de 2019, ataques ao Supremo e aos ministros. Segundo o ministro do Tribunal, há indícios de que Weintraub cometeu crimes de injúria e difamação, previstos no Código Penal, bem como quatro crimes previstos na Lei de Segurança Nacional, de 1983. “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF. E é isso que me choca”, disse Weintraub na ocasião. “A manifestação do Ministro da Educação revela-se gravíssima, pois, não só atinge a honorabilidade e constituiu ameaça ilegal à segurança dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito”, escreveu Moraes na decisão.