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WeChat pode ter piorado disseminação de novo coronavírus na China; entenda

Diego Sousa

Uma pesquisa realizada pelo grupo Citizen Lab descobriu que algumas plataformas digitais chinesas vêm censurando palavras-chave e conteúdos sobre o novo coronavírus. Entre elas estão o WeChat, app de mensagens mais popular da China, e o YY, rede social chinesa de streaming de vídeo.

Segundo o estudo, as palavras-chave censuradas incluíam informações factuais sobre o CODIV-19 (novo coronavírus), referências às políticas epidêmicas do governo e menções à Li Wenliang, médico que foi um dos primeiros a alertar a população sobre a doença - morreu no último dia 7 de fevereiro em decorrência do vírus.

Homem chinês olhando mexendo no celular com uma máscara cobrindo a boca (Foto: Reprodução/Buzzfeed News)

Desde o dia primeiro de janeiro, o WeChat passou a censurar palavras-chave sobre o novo coronavírus. A Citizen Labs descobriu, por meio de manchetes e textos sobre a epidemia enviados a uma conta chinesa do app, que 132 combinações foram censuradas somente em janeiro. Em fevereiro, esse número quase quadruplicou - 516 combinações apenas na segunda semana. 

No YY, que é praticamente uma versão chinesa da Twitch, foram encontradas 45 palavras-chave relacionadas ao coronavírus chinês na lista negra da plataforma, no dia 31 de dezembro de 2019. Mais de um mês depois, apenas cinco dessas palavras-chave foram removidas, aponta o relatório.

As duas empresas não comunicaram aos usuários ou deixaram claro em suas plataformas o motivo de censurarem conteúdos relacionados ao coronavírus, embora haja grandes chances que tenham sido ordenadas pelo governo chinês, em uma manobra para “controlar” a epidemia. 

Entretanto, considerando o grande número de usuários presentes tanto no WeChat, quanto no YY, muitas pessoas podem ter perdido informações importantes sobre formas de transmissão, como impedir a propagação e o que fazer em determinadas situações.

Chegando ao seu terceiro mês de epidemia, com incentivo do governo ou não, essa pode ter sido uma decisão arriscada. Segundo David Jacobson, professor de Estratégia Global de Negócios da Cox School of Business da SMU, muitos usuários podem viver com as plataformas. Provavelmente, apesar dos esforços, a restrição de informações pode ter piorado a disseminação do vírus.

Para ler a pesquisa completa, acesse a página da Citizen Labs.

Fonte: Canaltech

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