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Weber envia à PGR pedido de inquérito contra Campos Neto e André Esteves

·4 min de leitura
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 24.10.2019 - A ministra Rosa Weber durante sessão plenária do STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília (DF), sob a presidência do ministro Dias Toffoli, para continuidade de julgamento dos recursos sobre a validade da prisão em segunda instância. O relator do caso é o ministro Marco Aurélio Mello. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 24.10.2019 - A ministra Rosa Weber durante sessão plenária do STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília (DF), sob a presidência do ministro Dias Toffoli, para continuidade de julgamento dos recursos sobre a validade da prisão em segunda instância. O relator do caso é o ministro Marco Aurélio Mello. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (UOL/FOLHAPRESS) - A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou nesta sexta-feira (12) à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido de investigação contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e contra o dono do BTG Pactual, André Esteves. O encaminhamento à PGR é procedimento padrão na Corte. A equipe de Augusto Aras deverá analisar e informar ao STF se há elementos para abertura de inquérito.

O objetivo é apurar a prática do crime de uso indevido de informação privilegiada. Ilegal no Brasil desde 2001, essa prática envolve o uso de uma informação relevante ainda desconhecida do mercado na negociação de papéis, com o objetivo de obter lucro ou evitar perdas.

O pedido de investigação, apresentado ao STF pela Associação Brasileira de Imprensa, teve como base áudio divulgado no fim de outubro, em que Esteves, numa conversa com investidores, diz que mais cedo havia falado com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, sobre a demissão de quatro secretários do Ministério da Economia.

Naquele dia, a pasta havia chancelado uma manobra para furar o teto de gastos proposto pela ala política do governo, de olho em viabilizar o Auxílio Brasil, aposta eleitoral de Bolsonaro para 2022.

"Para quem não sabe, o secretário do Tesouro [do Ministério da Economia] acabou de renunciar, com mais 3 outros, tem mais 4 ameaçando. E eu atrasei um pouquinho porque o presidente da Câmara me ligou para perguntar o que eu achava", relatou o banqueiro a interlocutores.

Na regra atual, o teto de gastos é estipulado em R$ 1,61 trilhão em 2022. Com a nova regra, o teto passaria para R$ 1,65 trilhão. A elevação ocorrerá porque a taxa de inflação a ser usada como reajuste é maior, o que expande o limite. A correção do teto também será aplicada ao limite de quitação dos precatórios, estabelecendo pagamento de sentenças maior que as discussões anteriores da PEC previam para 2022.

Cálculos do governo apontam que, do total aberto em espaço no teto, R$ 24 bilhões serão consumidos pela inflação superior à estimada na proposta de Orçamento —o que corrige para cima diferentes despesas obrigatórias, como aposentadorias. Com isso, devem sobrar R$ 59 bilhões para outras despesas. A mudança foi incluída na PEC dos Precatórios, em análise no Congresso.

CONVERSA COM MINISTROS DO STF

A fala de Esteves ocorreu durante encerramento do evento "Future Leaders" da companhia e reuniu cerca de 30 pessoas. O áudio, ao qual o UOL teve acesso, foi antecipado pelo site Brasil 247. No encontro, o banqueiro relata ainda conversas com ministros do STF, em torno do tema da independência do Banco Central. A Corte manteve em agosto de 2021 a lei que havia sido aprovada em fevereiro pelo Congresso. Sem citar nomes, o Esteves afirmar ter ensinado aos integrantes do STF sobre a importância da medida.

"Teve essa discussão de Banco Central independente, foi importantíssimo conversar com ministros do Supremo, explicar... O cara não é obrigado a nascer sabendo. E o argumento que foi usado é que foi aprovado e aí teve uma contestação no Supremo, que depois deu a vitória de 8 a 2 a favor do Banco Central independente", diz o banqueiro.

"E o melhor argumento era explicar assim: 'Ministro, o senhor sabe que Banco Central independente tem nos EUA, no Japão, na Alemanha e na Inglaterra, né? E não tem na Venezuela e na Argentina? Tinha, mas a Cristina Kirchner revogou no primeiro ano de mandato. Em qual grupo o senhor acha quer estar junto?", falou Esteves.

Em nota, o BC afirmou que a conversa como a de Campos Neto com Esteves é praxe. "Como é da prática de bancos centrais e de autoridades de supervisão no mundo, os membros da diretoria colegiada do BC mantêm contatos institucionais periódicos com executivos de mercados regulados e não-regulados para monitorar temas prudenciais que possam ameaçar a estabilidade do sistema financeiro e/ou para colher visões sobre a conjuntura econômica", disse o BC.

"Esses contatos incluem dirigentes de instituições financeiras ou de pagamento e seguem rígidas normas legais e de conduta, com destaque para os períodos de silêncio e as regras de exposição pública", concluiu a instituição.

Ao Brasil 247, Lira disse conversar com agentes do mercado. "Eu falo com o André Esteves, com a XP e com todo o mercado. É esse mercado que define a taxa de juros, o dólar e muita coisa que afeta a vida de muitos brasileiros", afirmou. "Mas quem pauta a Câmara sou eu."

ELEIÇÕES 2022

Ao ser questionado sobre a eleição presidencial de 2022, Esteves diz que, se o presidente Jair Bolsonaro ficar calado, tende a ser favorito. O banqueiro afirma que a centro-direita tem dois candidatos ideais: os governadores tucanos Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e João Doria (São Paulo).

"Se o Lula pegar um Meirelles, colocar um Kassab de vice, e falar de meio ambiente, cultura, vai se tornar um favorito. Se nenhum dos dois caminhar ao centro, se Bolsonaro ficar malucão, vai ser alguém de centro-direita. Os dois candidatos ideais são Eduardo Leite e João Doria. Leite é um produto eleitoral com mais novidade, a despeito do excelente governo de Doria. As pautas que levaram Bolsonaro a ser eleito ainda estão por aí. O vento é de centro-direita."

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