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Aumentam acordos entre governos e laboratórios para vacinas contra COVID-19

·3 minuto de leitura
(Arquivo) Sede do grupo farmacêutico britânico GlaxoSmithKline (GSK) em Londres

Sinal da intensa competição entre os Estados, os contratos para tentar garantir acesso a uma possível vacina contra a COVID-19 estão se multiplicando, o último deles sendo anunciado nesta sexta-feira (31) entre a Sanofi e a GSK com os Estados Unidos.

A vacina em potencial, desenvolvida em conjunto pela francesa Sanofi e pela britânica GSK e que deve estar pronta em 2021, foi selecionada pelo programa americano "Operation War Speed", informou a Sanofi em um comunicado divulgado nesta sexta.

Esse programa do governo planeja garantir aos americanos o acesso à vacina o mais rápido possível, por meio de vários acordos assinados com laboratórios.

A Sanofi e a GSK receberão US$ 2,1 bilhões dos Estados Unidos em troca do fornecimento inicial de 100 milhões de doses aos americanos.

Essa colaboração permitirá "financiar as atividades de desenvolvimento e o aumento das capacidades de fabricação da Sanofi e da GSK nos Estados Unidos para a produção da vacina", relatou a Sanofi.

O laboratório francês, que receberá a maior parte do financiamento do governo dos EUA, especifica que este último também dispõe de uma opção para o fornecimento de 500 milhões de doses extras em longo prazo.

O produto de ambos os laboratórios se baseia na tecnologia de proteína recombinante usada pela Sanofi para produzir uma vacina contra a gripe e no adjuvante para uso pandêmico desenvolvido pela GSK.

O laboratório francês prevê lançar seu ensaio clínico de fase 1 e 2 em setembro, antes do estudo de fase 3 (a última etapa) até o final do ano, para uma aprovação que poderá ocorrer no primeiro semestre de 2021.

Esses ensaios em grande escala da fase final vão incluir o México.

- Acordo da UE -

Antes deste novo acordo, os Estados Unidos já haviam gastado mais de US$ 6 bilhões desde março para financiar projetos competitivos, em laboratórios como Johnson & Johnson, Pfizer e AstraZeneca (de cujos ensaios o Brasil participou), e em duas pequenas empresas de biotecnologia, Novavax e Moderna.

"A carteira de vacinas incluídas no programa 'Operation Warp Speed' aumenta as chances de ter pelo menos uma vacina segura e eficaz até o final do ano", afirma o secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, citado no comunicado da Sanofi.

Operações similares estão se multiplicando em todo mundo, uma vez que, na luta contra a pandemia, os laboratórios devem acelerar as etapas de desenvolvimento de uma vacina e preparar suas unidades de produção sem sequer conhecer os resultados dos ensaios clínicos, ou seja, sem saber se a vacina será um dia liberada.

Assinar acordos com os Estados lhes permite compartilhar os riscos e, em troca, os governos garantem o fornecimento de vacinas, se as pesquisas forem bem-sucedidas.

Também nesta sexta, a Comissão Europeia informou que reservou, em nome de seus 27 Estados-membros, 300 milhões de doses da vacina contra a COVID-19 que está sendo preparada pela Sanofi.

O Executivo europeu também mantém "intensas negociações" com outros fabricantes, conforme declaração divulgada hoje.

"O contrato com Sanofi dará uma opção a todos os Estados-membros para comprarem a vacina", explicou a Comissão.

"Embora não saibamos, na data de hoje, qual vacina será a mais eficaz, a Europa investe em um portfólio diversificado de vacinas promissoras, baseadas em diferentes tecnologias. Isso aumenta nossas chances de obter rapidamente um remédio eficaz contra o vírus", afirmou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

Na quarta-feira, Sanofi e GSK já haviam anunciado um acordo de 60 milhões de doses com o Reino Unido.

As partes interessadas não revelaram o montante envolvido.

Essa competição gera muita polêmica, pois questiona o acesso à vacina dos países em desenvolvimento, que não têm os meios para financiar contratos tão grandes, e alimenta os temores de que sejam os últimos a receberem.

Em meados de julho, o Conselho de Direitos Humanos da ONU adotou uma resolução, declarando que qualquer vacina contra a pandemia da COVID-19 deve ser considerada "um bem público global". O órgão insistiu na necessidade de "acesso rápido, justo e sem obstáculos a medicamentos, vacinas, diagnósticos e terapias seguros, acessíveis, eficazes e de qualidade".