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Wanessa e Zezé Di Camargo compartilham intimidades, lançam álbum e planejam turnê: ‘A pandemia nos reaproximou’, afirma ela

·12 min de leitura

Zezé Di Camargo chega para uma gravação com Wanessa e a descobre trancada no banheiro, aos prantos. Ele bate à porta; ela abre e desaba em seus braços: “Tem alguma coisa de errado com o meu corpo, eu acho que vou morrer!”. Ele tenta acalmá-la: “Não faz assim... Olha o meu coração batendo por você”. É a primeira vez que o pai, de 59 anos, presencia uma crise de pânico da filha, de 38, nos 18 em que ela lida com o problema.

— A pandemia pausou nosso trabalho e nos reaproximou. Com certeza, esse foi o período em que eu e meu pai mais convivemos nos últimos anos. E assim eu descobri o Zezé em mim. Traços que eu achava que eram da minha personalidade, do meu jeito de ser, enxerguei também nele. Até coisas que eu criticava no meu pai , percebi que faço igual! Ele é prolixo como eu, disperso, tem dificuldade em lidar com conflitos. E só não tem o pânico, mas também é hipocondríaco. Se tem um machucadinho na perna, já quer fazer mil exames — observa Wanessa, que tem falado mais abertamente sobre a ansiedade e o pânico para, quem sabe, alertar quem passa pela mesma situação e ainda não se deu conta ou se vê perdido: — Desta vez, eu não tive o auxílio de remédios, embora as terapeutas tivessem recomendado. Contei com o apoio de amigos, inclusive do meio artístico, que enfrentam o mesmo. Só quem passa por esse processo sabe o desespero, o inferno que é sentir isso: a dormência nas pernas, o aperto no peito, a falta de ar, a tremedeira... Não tenho diagnóstico de depressão, o meu caso é Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Fico em constante vigilância quando um gatilho surge.

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A sequência de perdas de pessoas queridas intensificou as crises da cantora, ela conta:

— Assim que eu soube que estava grávida (pela terceira vez), meu vô Francisco morreu (em 23 de novembro do ano passado). Esperei para contar à família uma semana depois, e em poucos dias eu perdi o bebê. Era uma menina, eu estava com sete semanas de gestação e foi bem traumático... Em abril, a Covid levou o Agui (Aguiberto Santos, ex-assessor artístico da família Camargo), que eu considerava como um segundo pai. Em agosto, perdi meu outro vô. E ainda teve a morte da Marília (Mendonça), agora em novembro. Foi muita dor encadeada para eu lidar.

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O lado maternal de Wanessa é citado por Zezé como a característica da filha que mais lhe chamou atenção nesse cotidiano partilhado na Fazenda É o Amor, em Araguapaz, no interior de Goiás, onde foi realizada parte das gravações da série documental “É o amor: Família Camargo”, que estará disponível na Netflix a partir da próxima quinta-feira (dia 9). Em cinco episódios, os dois compartilham intimidades com o público, numa convivência mais intensa, entre novembro de 2020 e junho deste ano. Outras cenas foram registradas no sítio da família na Capela Rio do Peixe, povoado de Pirenópolis (GO), onde o cantor nasceu; na casa de Wanessa e no apartamento de Zilu Godói, mãe dela, ambos no bairro nobre de Alphaville, na Região Metropolitana de São Paulo.

— É impressionante como Wanessa consegue se multiplicar, dar atenção aos dois meninos. Não é fácil, ainda mais nessa idade deles. Vi nela uma grande mãe, assim como na Camilla (a filha do meio dele, de 36 anos). A gente tem a ideia de que nossos filhos nunca crescem. Aí, eu me deparo com minhas crianças cuidando de outras crianças... É interessante observar esse ciclo da vida — diz Zezé.

José Marcus, de 9 anos, e João Francisco, de 7, frutos do casamento de Wanessa com o empresário capixaba Marcus Buaiz, de 42, ainda não têm muita noção da importância que carregam no sobrenome. O foco deles, por enquanto, está nos mundos do videogame e do futebol.

— Eles nem sabem as músicas que o avô canta! — reclama Zezé, em tom de brincadeira.

Wanessa intervém:

— Ah, eles têm uma noçãozinha, mas não conhecem a nossa história, de fato. Outro dia, José me contou que perguntaram se ele sabia que é neto do Zezé Di Camargo. “Mãe, falaram como se o vô fosse o rei da Inglaterra. Mas ele é só o meu vô!”, ele disse (risos). Eu explico, mas eles ainda não viram o filme (“2 filhos de Francisco”), por exemplo. Algumas passagens são tristes, eles vão questionar, são muito pequenos ainda. Os dois também não têm rede social. Eu só faço sucesso com os amiguinhos deles porque dublei a Ash, da animação “Sing”. Meus filhos nunca foram a um show meu...

O avô coruja não se conforma:

— Pois trata de mostrar logo o meu filme pra eles, que um dos meus sonhos é dar autógrafo pros meus netos! (risos)

Mirosmar José de Camargo mostra-se tão orgulhoso de sua descendência quanto dos seus antepassados. Ao ser questionado se já passou por acompanhamento psicológico em algum momento da vida, ele levanta a manga da camisa e exibe o rosto do pai tatuado no braço esquerdo:

— Olha aqui a minha terapia!

Quinze dias depois da partida de Seu Francisco, o artista eternizou no próprio corpo a imagem de seu maior ídolo, mas só tornou a homenagem pública em fevereiro deste ano.

— Em toda a minha vida, eu passei por três momentos dificílimos: o primeiro foi a morte do meu irmão Emival (sua primeira dupla musical foi vítima de um acidente de carro em 1975); o outro foi o sequestro do meu irmão Wellington (em dezembro de 1998); e o mais recente foi a perda do meu pai. Essa, a minha maior tristeza, da qual eu até agora eu não me restabeleci — desabafa o cantor: — Meu pai era um cara especial, singular, muito à frente de sua época, o único alfabetizado de sua família. Homem rigoroso, meu avô o obrigava a ficar trabalhando na roça até o fim da noite, já que ele passava a manhã estudando. Meu pai fundou uma escola lá na nossa região de Goiás, construiu carteiras pra gente se sentar e escrever. O projeto de Francisco não era ter filhos formando uma dupla sertaneja, mas ter filhos maiores que ele na vida.

Como primogênito, Zezé diz que sua ligação com o falecido pai e com Dona Helena, de 76 anos, se faz ainda mais forte:

— Família é o meu bem mais precioso. Tem gente que me critica dizendo que eu destruí a minha quando me separei (de Zilu, em 2012). Eu não admito, é exatamente o contrário. Afirmo que nunca estive tão próximo dos meus filhos quanto tenho estado ultimamente. Hoje, somos mais unidos do que nunca.

Vinte e sete anos depois do nascimento de seu caçula, Igor, o cantor se prepara para reviver essa emoção: sua noiva, Graciele Lacerda, de 41, passa por um tratamento de fertilidade para realizar o sonho de ser mãe. Zezé, que era vasectomizado, reverteu o processo. As visitas do casal ao médico e a rotina de alimentação e exercícios da influenciadora digital também são acompanhadas pelas câmeras da série no streaming.

— Eu vou ser a irmã-titia, né? Já tenho primos mais novinhos, filhos da Luciele e do Luciano, que me chamam de Tia Wanessa. Eu digo: “Cacilda, eu sou sua prima, e não tia!” (risos). Imagina como vai ser com esse irmão ou irmã bebê... — acha graça a cantora, deixando claro que sua relação com a madrasta vai muito bem, obrigada.

Zezé não sabe se a nova experiência de paternidade será muito diferente das anteriores. Mas é assertivo ao dizer que não sente culpa por ter se ausentado em momentos importantes da vida dos outros três herdeiros por excesso de trabalho.

— Se eu precisar cair na estrada de novo, eu vou. Quero dar o melhor para os meus filhos, são eles que vão herdar tudo o que estou construindo em vida. E agora vai ser mais uma boca pra alimentar, né?— sublinha, relembrando a dedicação quase integral à carreira: — Foi o meu trabalho que propiciou dar um bom estudo aos três, eles puderam ir morar no exterior num momento em que a gente precisou muito (quando Wellington Camargo foi sequestrado, Zilu e os filhos se exilaram nos Estados Unidos, pois descobriu-se que Wanessa seria o alvo preferencial dos bandidos). Meus filhos aprenderam outros idiomas, experimentaram outras culturas... Eu só podia ficar com eles de segunda a quarta-feira porque nos outros dias estava ralando. A carreira artística pode ser efêmera, e eu precisava aproveitar o bom momento. Tive que sacrificar a eles e a mim com essa ausência. Eu também sentia muito, mas era tempo de plantar, de prover, de garantir o conforto deles. Por tudo isso, não posso me arrepender.

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Wanessa entrega que, ao se decidir pela carreira musical, ela se questionou se seria mesmo por vocação ou por uma tentativa de agradar e se aproximar do pai.

— Por mais que, quando nova, eu entendesse a necessidade de ele estar sempre viajando, que isso proporcionava uma vida confortável pra gente, no fundo eu não queria que fosse assim. Preferia que ele estivesse nas apresentações de fim de ano da escola, como os pais dos meus colegas estavam. E comecei a perceber que, quando falava de música com ele, eu ganhava muita atenção. Era um gosto nosso, em comum. Ao iniciar minha vida profissional, precisei entender se essa era realmente uma vontade minha, uma realização pessoal, ou somente uma tentativa de agradá-lo. Mas aí me dei conta de que, mesmo cantando debaixo do chuveiro, eu me emocionava, me sentia iluminada e feliz. Tive a certeza de que a música era o meu destino, o meu maior querer — ela conta.

Encontrar a “estrada pavimentada” pelo pai não evitou percalços na trajetória de Wanessa:

— Todo artista que não teve ninguém na família abrindo caminhos pode ter toda a dificuldade na subida, mas, quando chega lá em cima, ninguém questiona o seu mérito. Eu fui muito questionada, até ontem. Hoje, acho que o “Show dos famosos” tem mudado um pouco esse cenário. O quadro (do “Domingão com Huck”) tem mostrado ao público em geral o meu potencial como artista. Tenho ouvido muito: “Nossa, agora eu acredito no seu talento!”. Sei que tem quem vai passar a vida achando que eu sou só a filha, e está tudo bem. Mesmo! O que me interessa é o resultado concreto do meu trabalho, e não o que as pessoas imaginam. O que está no mundo das ideias, eu não tenho o poder de mudar.

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Ao receber o convite para participar do dominical homenageando ícones da música nacional e mundial, a cantora confessa ter hesitado.

— Até o meu pai se mostrou contra, num primeiro momento. Pensei: “Ah, não! Não quero entrar numa competição para ser julgada mais uma vez, já fui a minha vida inteira!”. Mas decidi me jogar, me desafiar. Acho que fui a última a dar o “ok” para a produção do programa — detalha Wanessa, que trocou o sentimento de medo pelo de prazer no decorrer das semanas: — Fui convidada num momento em que eu estava obsessiva com a minha saúde, precisando mudar o meu foco. Tenho me divertido muito, apesar de ser da minha personalidade a exigência, o perfeccionismo. Se as primeiras interpretações já foram difíceis, as próximas já estão me tirando o sono.

Depois de ouvir do pai que ele gostaria de ser um dos homenageados por ela na competição, Wanessa adianta: só interpretará mulheres.

— Eu até sei imitar o jeito de o meu pai cantar, mas os nossos timbres de voz são bem diferentes. Pra mim, era importante encontrar artistas de que eu conseguisse me aproximar nesse quesito, pra ficar um trabalho completo, bonito. Quando testei personagens masculinos, só encontrei dois com timbres próximos ao meu: os Hanson e Michael Jackson, na época dos Jackson 5. Só que neste ano não podia mais fazer blackface no palco. Aí eu também tive que descartar Mariah Carey e Alicia Keys, que estavam na minha lista. Mariah já falou numa entrevista que se considera negra — explica a artista, completando: — Depois, eu pensei: pra que trocar de gênero? Quero homenagear as mulheres! Sempre fui comparada a outras tantas cantoras, nos colocavam com frequência em embates descabidos. Essa também é uma forma de eu dizer que está mais do que na hora de acabar com essa competitividade boba.

Enquanto a cantora — que recebeu muitos elogios do júri do “Domingão com Huck” e do público, nas redes sociais, ao encarnar Celine Dion, Madonna, Perla e ABBA — se prepara para os próximos três desafios, caso chegue à final da disputa, Zezé se convence, a cada semana mais, que a decisão da filha de aceitar participar do “Show dos famosos” foi acertadíssima.

— Eu já falo há mais de dez anos, desde que ela atingiu a maturidade vocal: pra mim, Wanessa é a maior cantora deste país. Não é papo de pai babão. Ela canta muito bem, tanto em português quanto em inglês. Também dança bem... Minha filha mergulhou fundo nas performances e mostrou a sua capacidade, a sua versatilidade. Agora as pessoas estão me dando razão — orgulha-se o goiano: — E digo mais: se, desde o início, Wanessa não tivesse qualidades, eu seria o primeiro a falar pra ela desistir. A gente tem que ser crítico com a gente mesmo e com quem a gente ama. Mas, se eu fizesse isso, estaria mentindo.

Tamanha e mútua admiração acaba de se transformar em parceria: os dois gravaram um álbum juntos, que será lançado no próximo dia 10, e pretendem fazer uma miniturnê em 2022 para apresentar as 12 músicas do repertório. Foi o desejo de registrar “Pai & filha” em estúdio, aliás, o mote para a série “É o amor: Família Camargo”.

— As pessoas têm perguntado por que Luciano não está nesse trabalho. Não só ele, outros parentes não puderam ou não quiseram participar. Não quero que fantasiem a história de que eu joguei meu irmão para escanteio, não é nada disso. Paralelamente à nossa dupla, ele tem um projeto solo gospel; eu também tenho o meu, “Rústico”. Este agora, especificamente, é voltado para a minha relação com a minha filha. Minha história com Luciano já foi detalhada no filme “2 filhos de Francisco”, mas pouca gente conhece o Zezé pai, o encontro do meu mundo com o da Wanessa — explica o cantor.

Entre as canções inéditas do novo álbum, “Isso é o amor” foi composta por Wanessa em parceria com Paula Mattos e Bibi, para coroar essa conexão entre “Pai & filha”:

— Eu quis falar da transformação do pai herói em pai amigo, mais próximo de mim. Queria contar que o Zezé é um cara falível, vulnerável. E foi muito emocionante mostrar essa composição pra ele aprovar pro nosso álbum. Agora, essa música é o meu hino da relação com meu pai.

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