Waldorf Astoria perdoa roubos de hóspedes para resgatar sua história

Rafael Cañas.

Nova York, 6 fev (EFE).- O hotel Waldorf Astoria, um dos símbolos da época dourada de Nova York, está recebendo objetos subtraídos por seus clientes durante mais de um século a fim de recriar a história do famoso estabelecimento em seu museu.

Desde humildes abridores de garrafas até objetos de grande valor como bandejas e cafeteiras de prata, o hotel está recuperando pouco a pouco artigos de todo tipo dentro de um programa chamado de "anistia", no qual recebem envios "sem fazer perguntas".

O programa aconteceu entre julho e setembro do ano passado, mas desde então o hotel segue recebendo envios em um bom ritmo. Até agora foram recebidas 125 comunicações e delas 15 incluíam entregas "significativas", segundo detalhou à Agência Efe uma porta-voz do estabelecimento.

Um dos objetos devolvidos é uma cafeteira de prata que data de 1938 e que um casal que passou sua lua-de-mel no hotel levou em sua bagagem como romântica lembrança de sua estadia, segundo explicou um herdeiro na nota que acompanhava o artigo subtraído.

Outro objeto recuperado é um descanso para taças de vinho da década de 1950 e a nota de quem o enviou assinalava que procedia de um rico antepassado conhecido por sua generosidade com os necessitados, mas que também se deixou levar pela tentação de levar algo que tivesse o famoso monograma do hotel.

O objeto de maior tamanho desaparecido é o vidro do boxe do banheiro do apartamento que Frank Sinatra e sua esposa Nancy tinham no hotel durante parte da década de 1940, e no qual estavam gravadas as iniciais do casal.

Neste caso, não parece que algum cliente tenha levado uma lembrança volumosa demais para qualquer mala, mas se suspeita de algum funcionário do próprio hotel ou de alguma empresa de obras durante a reforma da suíte.

O hotel exibe os objetos, e outros de sua coleção própria, dentro do pequeno museu e na página de internet que criou ("Host to the World - Anfitrião do Mundo").

O primeiro Waldorf Astoria surgiu da união de dois hotéis construídos, um junto ao outro, em 1893 e 1897, pelos primos William Waldorf Astor e John Jacob Astor IV (ambos descendentes do magnata John Jacob Astor, nascido na Alemanha e o primeiro multimilionário da história dos Estados Unidos).

No entanto, foi o empresário hoteleiro George Boldt, sócio de Waldorf, que acabou dirigindo as operações de ambos hotéis e unindo-os.

O Waldorf Astoria se destacou por mudar radicalmente o conceito de hotel, pois foi além de um alojamento para viajantes e turistas para se transformar em centro de encontro social dos mais opulentos, com bailes e festas.

O primeiro hotel com este nome ocupava o solar da Quinta Avenida no qual agora está outro símbolo de Nova York, o Empire State Building, e o atual se transferiu um pouco mais ao norte, à elegante Park Avenue, ganhando forma em 1931 como um elegante edifício de estilo "art deco".

Além de hóspedes famosos, milionários e chefes de Estado, o estabelecimento abrigou inumeráveis eventos da alta sociedade nova-iorquina.

De duas destas homenagens procediam duas facas gravadas especialmente para banquetes de homenagem em eventos sociais, nos quais a própria homenageada se apropriou de uma pequena "lembrança" de cada um, que foram devolvidos com nome e sobrenomes por sua neta.

Também foi devolvida uma colher de chá que procede de 1925. Segundo reconhece o próprio hotel, houve uma época em que 25 mil colheres de chá "desapareciam" a cada semana, o que representava 90% das reservas do estabelecimento, que precisava repô-las constantemente.

No entanto, o estabelecimento considerava que o custo de repor as perdas ficava compensado pela publicidade criada e pela clientela que o fenômeno atraía.

A esse ritmo, o hotel não vai recuperar mais que uma ínfima parte do que foi "saqueado" por seus ricos clientes e convidados, mas espera conseguir o suficiente para recriar o espírito de uma época de elegância já perdida. EFE

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