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Vulnerabilidade é ferramenta para formar bons líderes no trabalho

Vulnerabilidade é sinal de um bom líder nos dias de hoje (Foto: Getty Images)

Por Anna Martins

O chefe que sabe tudo e não tolera erros já não tem o mesmo espaço nas empresas. Agora, um líder valorizado tornou-se aquele que entende as próprias vulnerabilidades e sabe usá-las como combustível para desenvolver a si mesmo e a quem lidera.

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vulnerabilidade, conceito em que as pessoas podem mostrar suas fraquezas até mesmo no ambiente de trabalho, virou assunto pop com a pesquisadora norte-americana Brené Brown, da Universidade de Houston, depois da palestra do TED Talks “O Poder da Vulnerabilidade”, em 2011, que viralizou na internet.

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Se o presidente da empresa não mostrar seu lado mais humano ou permitir o erro como aprendizado, terá mais dificuldades em inovar, aponta Solange Mazza, professora de desenvolvimento de lideranças e cultura organizacional da Business School São Paulo.

“Se eu tenho medo de mostrar, vou fazer mais do mesmo. Quando não tenho medo nem vergonha de errar, contribuo para um ambiente de aceitação das falhas humanas, e isso depende da liderança”, afirma a especialista.

Mazza, que trabalhou por mais de dez anos como executiva de RH, explica que pessoas vulneráveis tendem a ter a autoestima em dia. “Brown afirma que a coragem de ser imperfeito leva à compaixão com os outros, e essa é a base da criação de uma outra cultura corporativa”, explica.

Mas a competição ainda não permite essa coragem no dia a dia, sobretudo em setores como o financeiro, afirma Renan Pieri, professor de economia do trabalho da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Brene Brown, pesquisadora responsável por tornar o conceito de vulnerabilidade pop (Foto: Chris Pizzello/Invision/AP)

“As pessoas têm de estar sempre confiantes, ter aquele avatar de ‘funcionário ideal’ e uma postura agressiva, mas isso frustra sobretudo as novas gerações, que buscam mais a realização de sonhos e propósitos na carreira do que a de seus pais”, diz.

Já o ex-CEO da cafeteria Starbucks, Howard Schultz, elencou vulnerabilidade, transparência e capacidade de pedir ajuda como as qualidades mais subestimadas de um líder, em entrevista à Oprah Winfrey. Schultz comandou a empresa de 1987 a 2000 e entre 2008 e 2017.

“Você deve ser verdadeiro. Não precisa ser vulnerável o tempo todo, mas há momentos em que você terá de mostrar quem você é e não ter medo disso”, disse Schultz, depois de contar que, na primeira semana de volta ao comando da rede, chorou ao pedir desculpas em reuniões.

Para Sérgio Mônaco, especialista em desenvolvimento de lideranças da consultoria de RH Korn Ferry, o maior desafio dos líderes é criar abertura e confiança entre as pessoas mesmo em ambientes competitivos.

“As empresas já incentivam esse comportamento quando os projetos têm resultado, mas a sociedade já demanda locais de trabalho mais saudáveis”, afirma.