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Quer crescer na carreira? Comece a trabalhar sua vulnerabilidade

Demonstrar que possui falhas ajuda na aceitação dos próprios erros e torna você um funcionário melhor (Foto: Getty Images)

Por Anna Martins

Ser uma pessoa mais vulnerável, mesmo em um mercado muito competitivo, pode ser a chave para alavancar na carreira. Isso porque o conceito permite crescimento pessoal sem a culpa de errar, conforme explica a norte-americana Brené Brown, da Universidade de Houston, pesquisadora que viralizou nas redes sociais.

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Isso ocorre, de acordo com a pesquisadora, porque as pessoas não são vulneráveis o suficiente para ouvir críticas ou admitir erros, por exemplo. No escritório, onde o erro pode estar associado a uma demissão, é ainda mais difícil não tentar ser “super-homem”.

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“Sabe quando o seu chefe diz para você como você foi maravilhoso em 36 tarefas, mas em uma ele diz que ‘tem como melhorar’, e depois disso você só consegue pensar nessa tarefa que ‘tem como melhorar’?”, questiona Brown na palestra “O Poder da Vulnerabilidade”, que deu ao TEDTalks em 2011 e já teve mais de 11 milhões de visualizações no YouTube.

Por outro lado, uma atitude passiva, sem estabelecer uma real conexão com o trabalho, pode levar à estagnação profissional. Um dos fatores que fazem as pessoas agirem dessa forma é a vergonha, para Brown, que sentem de si mesmas.

“Tem que se assumir imperfeito, sair da defensiva. Deixar de fazer uma pergunta em uma reunião porque está com vergonha de estar errado não é o caminho correto. Reconhecer-se vulnerável é uma fortaleza”, explica Solange Mazza, professora de desenvolvimento de lideranças e cultura organizacional da Business School São Paulo.

Abrir espaço para erros é a forma que sobretudo as empresas de tecnologia encontraram para que seus funcionários pudessem criar produtos novos. “Elas dependem de uma cultura apropriada para criar e inovar, e a vulnerabilidade é pré-requisito para isso”, afirma Mazza, que tem experiência como executiva na área de Recursos Humanos.

O mercado de trabalho no Brasil, porém, ainda é complicado para trabalhadores desenvolverem a vulnerabilidade como ferramenta para crescer na carreira, aponta Renan Pieri, professor de Economia do Trabalho da FGV (Fundação Getulio Vargas).

“As empresas ainda podem se dar ao luxo de não permitir a vulnerabilidade. O trabalhador entra no mercado de trabalho, tem jornadas de 16 horas, aí cede psicologicamente antes mesmo de atingir o patamar que queria, e rapidamente a empresa tem um substituto para ele”, explica.

Já nos processos de recrutamento e seleção, trata-se mais de olhar se a pessoa lida bem com crise ou se cede na primeira dificuldade. “Os RHs estão mais preocupados é em identificar trabalhadores menos vulneráveis”, completa Pieri.

O problema é que lidar com momentos de vulnerabilidade é vital para qualquer pessoa, inclusive fora da empresa, explica Sigmar Malvezzi, professor de Psicologia Social do Trabalho e das Organizações na USP (Universidade de São Paulo).

“Para ele se fortalecer, ele precisa entender que desenvolver capacidade crítica e desenvolvimento de seus vínculos, de seu caminho e de suas competências. Assim, terá vontade de construir e pensar em algo diferente”, diz.