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A vulnerabilidade é uma forma de potência

·4 min de leitura

Escrevo essa coluna quando completo 48 anos. 48 anos de altos, de baixos, de aprendizados. 48 anos de uma jornada intensa.

Comecei a trabalhar aos 20 anos, um baita privilégio em um país onde muita gente começa a trabalhar antes disso. São 28 anos de trabalho em grandes empresas, que de alguma maneira, moldaram meu desenvolvimento. Durante anos tive pouquíssima referência feminina. Somente homens ocupavam as posições de liderança. Mas felizmente encontrei mulheres que desafiaram a tudo e todos e foram referências para mim. Me mostraram que era possível ser mãe e profissional, que era possível ter uma vida pessoal e profissional. Desde que você fizesse seus acordos e que soubesse o que era negociável e o que era não negociável. E foi com isso em mente que segui meu caminho dentro do mundo corporativo.

Aprendi muita coisa. Aprendi a ser assertiva, às vezes até dura demais. Aprendi a ocupar um espaço que normalmente não era ocupado por mulheres. A ser um “incômodo”, somente por ser mulher e estar lá. Aprendi também a reverenciar as mulheres que vieram antes de mim, pois graças a elas, minha trajetória foi um pouco menos dura.

Mas aprendi também que algumas palavras como vulnerabilidade, liderança humana, leveza, não faziam muito parte desse universo. É como se o poder não permitisse que as pessoas fossem humanas e vulneráveis. Como se a liderança fosse sinônimo de dureza, de força, de austeridade. Aos poucos, fui entendendo que vulnerabilidade é a palavra que deixa desconfortáveis as pessoas que valorizam demais o “poder”. Por quê? Porque para muitas pessoas, o poder é sobre “saber tudo”. É sobre sempre ter uma resposta pronta e perfeita.

Em meio a tantos modelos de liderança pautados pelo poder e pela “não possibilidade de falhar’, encontrei líderes assimétricas e assimétricos a isso. E foi fundamental para eu vivenciar lideranças humanas e ao mesmo tempo assertivas. Lideranças leves e com a régua muito alta. Uma vez recebi um “feedback” que eu conseguia ser dura com os temas, sem ser dura com as pessoas. Fiquei refletindo sobre isso… e confesso que nunca tinha pensado sobre como era possível ser assim. Mas a reflexão que ficou foi sobre que tipo de líder eu queria ser. Durante um curso que eu fiz no INSEAD Business School, Erin Meyer, professora e autora do livro The Culture Map: Breaking Through the Invisible Boundaries of Global Business (um estudo que analisa como as diferenças culturais nacionais impactam os negócios) estava dando uma aula de liderança e trouxe um conceito que eu nunca vou esquecer: “leaders are here to serve” (líderes estão aqui para servir). Como você pode “servir” ao outro sem ser humano e vulnerável?

Fica aqui meu convite para que possamos ser vulneráveis, que possamos aprender sempre, que possamos exercitar o poder de impactar, e não o poder pelo poder.

A cada ano, foi ficando claro pra mim que a Vulnerabilidade é uma forma de potência. Como?? Sim, a vulnerabilidade te coloca em um lugar onde abre-se espaço para o erro, para o não saber, para o “talvez eu precise de ajuda”. A vulnerabilidade é libertadora! Te permite dialogar com o outro de igual para igual, a ver que outras pessoas podem te ensinar e que o conhecimento empodera.

Então em um cálculo básico: vulnerabilidade = potência.

Durante anos, a alta liderança foi construída sobre bases sólidas de inteligência, poder e assertividade. Assumir que “não sei” ou que “preciso de ajuda” é a desconstrução do poder. E está tudo bem! Faz alguns anos que comecei a refletir sobre a obrigatoriedade de “saber tudo”. Primeiro que é absolutamente egocentrista a percepção que seu ponto de vista é o único ponto de vista correto. A não abertura à outras vivências, à outras experiencias é um dos exercícios mais potentes que eu conheço.

Não é à toa que os TOP 10 soft skills para 2021, elencado pelo World Economic Forum, mostraram a importância de desenvolver as habilidades interpessoais para ter uma liderança efetiva:

  1. Resolução de problemas e tomada de decisões

  2. Pensamento estratégico

  3. Inovação

  4. Gestão de Pessoas

  5. Autocontrole

  6. Iniciativa

  7. Orientação para mercado

  8. Liderança de equipe

  9. Capacidade de negociação

  10. Flexibilidade

Muitas delas exigem que o profissional saia do seu pedestal e vá em busca de aprendizado, de diferentes pontos de vista, de assumir que não sabe tudo, e isso é potente demais. Saímos da era da razão para a era da colaboração. Da era do poder para a era da escuta ativa como forma de poder, para abarcar diferentes pontos de vista. Menos sobre saber tudo e mais sobre saber quem chamar para que a inovação seja mais inclusiva, que o desenvolvimento de mercado seja mais sustentável e que o crescimento do negócio tenha propósito e impacto.

Então fica aqui meu convite para que possamos ser vulneráveis, que possamos aprender sempre, que possamos exercitar o poder de impactar, e não o poder pelo poder. Que 2022 seja o ano da vulnerabilidade e da potência.

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

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