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Vulcabras Azaleia sente impacto de paralisação de fábricas no 1º trimestre

Cibelle Bouças

A dona de marcas como Olympikus, Azaleia, Dijean e Under Armour sentiu impactos negativos nos três primeiros meses do ano A Vulcabras Azaleia, dona de marcas como Olympikus, Azaleia, Dijean e Under Armour no Brasil, apresentou já no primeiro trimestre impacto negativo da pandemia de covid-19. “A pandemia paralisou o setor de calçados, que vinha apresentando crescimento nos primeiros meses do ano”, afirmou em teleconferência para analistas Pedro Bartelle, presidente da Vulcabras Azaleia.

Jarbas Oliveira/Valor

Devido às medidas de quarentena adotadas no Ceará e na Bahia, onde a empresa tem fábricas, a Vulcabras Azaleia fechou as unidades fabris a partir de 20 de março. As férias coletivas concedidas aos funcionários duraram 34 dias.

Em janeiro e fevereiro, o segmento de calçados e confecções cresceu quase 2% em comparação ao mesmo intervalo de 2019, observou o executivo. Em março, com o avanço da doença no país e as medidas de isolamento social, a produção industrial caiu 9,1% em relação a fevereiro e 3,8% em comparação ao com o mesmo mês de 2019.

No primeiro trimestre, a produção do setor de calçados apresentou queda de 14,2%, observou Bartelle. A Vulcabras Azaleia, por sua vez, fechou o primeiro trimestre com queda de 20,1% no volume vendido, totalizando 4,7 milhões de pares e peças. A receita líquida caiu 20,4%, para R$ 238,6 milhões.

O lucro líquido teve redução de 66%, para R$ 8,9 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) caiu 42,3%, para R$ 27,2 milhões.

A Vulcabras Azaleia informou que seus resultados do primeiro trimestre foram afetados por atrasos no faturamento de vendas realizadas no mês de março.

Bartelle disse que aproximadamente 50% do faturamento do mês encontrava-se em trânsito das fábricas para as lojas quando foi anunciada a quarentena em vários Estados a partir do dia 20.

Por causa das medidas de isolamento, a empresa teve que levar os caminhões com produtos de volta para os estoques. Dessa forma, não foi contabilizada como receita metade da venda feita em março.

Além dessa receita de vendas, a companhia ainda tem a receber parte das vendas realizadas na Black Friday e no Natal de 2019.

Bartelle disse ainda que a companhia decidiu reforçar a sua liquidez no primeiro trimestre, com a captação de recursos de linhas de crédito pré-aprovadas no total de R$ 126 milhões.

A companhia também fez reduções nas despesas operacionais para adequar os gastos ao novo ambiente de demanda retraída.

Em relação ao segundo trimestre, a companhia informou que vê sinais de melhoria, com 42% dos lojistas de calçados voltando a operar e 72% das indústrias calçadistas voltando a produzir.