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Voluntários arrecadam dinheiro e comida para alimentar animais na região do Pantanal

Anita Efraim
·3 minutos de leitura
Voluntários relatam que aves estão entre os animais que mais se beneficiam da ação (Foto: Acerto Pessoal/Amigos do Pantanal)
Voluntários relatam que aves estão entre os animais que mais se beneficiam da ação (Foto: Acerto Pessoal/Amigos do Pantanal)

Katiani Antunes precisa colocar uma máscara úmida para sair da casa onde vive e regar as plantas que ficam do lado do fora. “Faz dias que não vejo um céu azul”, descreve a professora, que mora na cidade de Cáceres, no Mato Grosso, região atingida pela fumaça das queimadas na região do Pantanal.

“Se nós, dentro de casa, não conseguimos respirar, imagina a situação dos animais”, diz. Junto com outros voluntários, Katiani integra o projeto Amigos do Pantanal, que tem como objetivo alimentar os animais da região.

Juliane Pereira também é professora e faz parte do Amigos do Pantanal. Moradora de Cáceres desde sempre, ela relata que nunca viu tanta queimada quando agora. “Quando entramos em ação, já era uma semana depois de todo esse fogo que vocês estão vendo. Toda essa queimada já devia ter dizimado alguns animais, mas outro sobreviveram”, afirma.

O grupo de voluntários arrecada alimentos e vai a regiões perto de Cáceres montar pontos de alimentação para os bichos. Katiani e Juliane já ajudaram macacos bugio, macacos aranha, porcos do mato e o que mais veem são aves.

Voluntários montam pontos de alimentação para animais perto de locais com água (Foto: Acerto Pessoal/Amigos do Pantanal)
Voluntários montam pontos de alimentação para animais perto de locais com água (Foto: Acerto Pessoal/Amigos do Pantanal)

No último sábado, 26, quando esteve em campo, Katiani viu dezenas de aves surgirem quando o grupo montou um ponto de alimentação com frutas para alimentar os animais. “Elas gritavam, provavelmente para chamar as outras, e foram surgindo montes delas em questões de segundo”, relata.

“O incrível do macaco é que ele tem expressão. Era muito emocionante ver eles pegando uma banana e se alimentando. Parecia que eles não estavam nem acreditando que aquele alimento estava ali, porque a região está muito seca. Não tem mais árvores frutíferas em volta”, descreve.

Katiani fez o trajeto pelo rio Paraguai e conta que nunca o viu tão seco. Em diversos momentos, o barco atracou em bancos de areia. “É bem triste, desesperadora a situação”, desabafa.

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Os voluntários montam os pontos sempre perto de fontes de água, para que os animais encontrem com facilidade. “Os mercados estão bem proativos e muitos civis querem colaborar e não sabem como, por isso nos procurar. Dá para perceber que as pessoas estão preocupadas”, conta Juliane. Para ela, a situação de Cáceres é complicada porque a cidade não fica tão próxima ao foco das queimadas e, como consequência, não tem recebido tanta ajuda.

O grupo conta com ajuda da sociedade civil e também de supermercados da região para arrecadas frutas e outros alimentos, no entanto, sem dinheiro, a ação fica limitada. “Para ir mais longe, precisamos de dinheiro para combustível”, explica Katiani.

Juliane conta que o grupo está em um momento de reorganização. Com outra organização, chamada Bichos do Pantanal, eles pretendem se dividir para chegar a mais lugares e ajudar o maior número possível de animais.

Katiani e Juliane avaliam que o papel cumprido pelo grupo é aquele que deveria ser feito pelo poder público. Elas rechaçam declarações que minimizam a situação vivida no Pantanal. “Há um ano, estávamos no cais vendo o pôr do sol. Desde as queimadas desse ano, Cáceres não teve um pôr do sol bonito como tinha”, afirma Katiani.