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Voluntários nas redes sociais influenciam ações de distribuição de máscaras contra a Covid-19

·5 minuto de leitura

RIO — O anúncio feito pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro sobre a distribuição de máscaras PFF2 a todos os profissionais da rede teve um reforço importante. O perfil “Qual Máscara?” orientou a pasta e acompanhou todo o processo de compra das peças. A iniciativa faz parte de uma rede de voluntários que atuam em diferentes estados, informando sobre utilização, eficácia e aquisição de diferentes modelos da peça.

— Queriam conversar sobre a melhor forma de distribuição, em kits, para pensar a quantidade necessária. Ajudamos a entender o que devem exigir das empresas e também a forma de comunicação dos dados — conta a antropóloga Beatriz Klimeck, de 24 anos. Ela e seu companheiro, o administrador público Ralph Holzmann, de 25, criaram o @qualmascara em dezembro.

O perfil surgiu a partir de uma demanda pessoal. Logo no início da flexibilização do isolamento, em agosto, o casal passou a pesquisar sobre as diferentes máscaras:

— Descobrimos que a informação não era clara. A comunicação pública era: “Use máscara”, mas não dizia qual. Perto das eleições, fiz um vídeo sobre todos os tipos de máscaras que já tinha usado. As pessoas começaram a procurar meu perfil para buscar informações. Decidimos, então, levar informações de artigos científicos para um público mais amplo.

O "Qual Máscara?" começou em dezembro. Em 14 de fevereiro, já tinha 10 mil seguidores no Instagram. Um mês depois, o número subiu para 100 mil. As publicações são, em sua maioria, ilustrações que podem ser baixadas e compartilhadas em outras redes. O perfil promoveu ainda uma campanha de doação de cestas e máscaras.

— A gente conversa com assessores, vereadores, secretarias para tentar fazer distribuição dessas máscaras porque a gente acredita que é o papel do Estado — acrescenta Beatriz.

Ações pelo Brasil

É com esse mesmo pensamento, de chamar a atenção do poder público, que os perfis @estoque_pff e @PFFparaTodos lançaram o site PFF para Todos. A peça, além de proteger as outras pessoas, protege também quem usa, pois filtra gotículas e aerossóis. A explicação aparece no início do site, idealizado pelo estudante de Direito Bruno Carvalho, de 34 anos. O universitário, que também é professor de inglês, perdeu uma aluna de 63 anos para a Covid, em fevereiro. Foi a partir daí que começou a se interessar mais pelo assunto.

— Vi um perfil no Twitter, o @estoque_pff, que estava ajudando pessoas a comprarem máscaras da 3M Aura. Quando esse perfil começou a divulgar sobre outras fabricantes, o Twitter ameaçou suspender a conta pensando que fosse spam. Entrei em contato com eles e sugeri de montarmos um site para condensar informações de outras fabricantes — conta Bruno.

O site entrou no ar um dia depois e reúne ofertas da PFF, listagem de lojas físicas em todo o país, estudos científicos, orientações sobre como vestir, reutilizar o respirador, além de outras dicas e perfis semelhantes. Para Bruno, o importante é levar o assunto para o poder público:

— O grande objetivo é chamar atenção para que os PFFs entrem no debate político do país. Em última instância, quem deveria distribuir era o SUS, da mesma forma que está distribuindo as vacinas e que distribui camisinhas.

Enquanto as ações do poder público seguem tímidas, outros voluntários, influenciados pelos perfis, promovem ações sociais em suas cidades. Em Blumenau, Santa Catarina, o economista Pedro Ivo Ferreira de Menezes, de 27 anos, passou a organizar, em fevereiro, distribuição de PFF2 em terminais rodoviários.

— Desde o início de março, já foram sete terminais e total de 3 mil máscaras distribuídas. Estamos mobilizando recursos para comprar terceiro lote de máscaras, tentando dobrar para 6 mil unidades — planeja Pedro.

A frente Blumenau Pela Vida reúne artistas, coletivos, intelectuais, movimentos sociais, partidos políticos e sindicatos. Pedro explica que, entre suas influências, estão os perfis @estoque_pff e @PFFparaTodos:

— O perfil @fvguima, do Projeto EPI, foi o primeiro a fazer isso e também é uma das nossas inspirações. Nos terminais, nós fazemos as entregas sempre entre 6h30 e 7h30, por um grupo limitado de pessoas. Além das máscaras, entregamos um material informativo impresso.

'Governo federal tem sido omisso'

O físico Paulo Artaxo, professor da USP, coordenou um estudo do Instituto de Física da universidade apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que avaliou a eficiência de filtragem de 270 tipos de máscara vendidos no Brasil.

A análise indica que as máscaras cirúrgicas e as do tipo PFF2/N95 conseguiram filtrar entre 95% e 98% das partículas de aerossol com tamanho equivalente ao novo coronavírus. Na sequência, estão as de TNT (feitas de polipropileno, um tipo de plástico) vendidas em farmácia, cuja eficiência variou de 80% a 90%. Por último, estão as de tecido — grupo que inclui modelos feitos com algodão e com materiais sintéticos, como lycra e microfibra. Nesse caso, a eficiência de filtração variou entre 15% e 70%.

— O estudo foi respondendo a uma necessidade da população brasileira que quer saber exatamente se a máscara que está usando protege ou não. Uma das conclusões do estudo é: use sempre máscara. Se puder, use de TNT, que mostrou a melhor relação custo-benefício do ponto de vista de proteção — explica o físico. — Desde o início da pandemia, o governo federal tem sido omisso na questão de orientar a população. A orientação do governo deveria ser no sentido de proteger a saúde das pessoas.

O estudo também avaliou a resistência do material das máscaras à passagem de ar. As de TNT e de algodão foram as melhores. Mas Artaxo ressaltou que, além da utilização de máscaras e de evitar aglomeração, é importante manter o ambiente ventilado:

— Tem que manter portas e janelas abertas para manter a ventilação o máximo possível. Se uma pessoa que está contaminada entra no ambiente sem ventilação, o vírus pode ficar no ambiente por muitas horas.