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Voluntário de vacina para disenteria bebe "suco de shigella" e conta como foi

Durante o último mês de abril, a University of Maryland realizou testes para uma vacina que combate a disenteria bacteriana, causada pelo gênero Shigella. Para isso, 16 adultos jovens e saudáveis se voluntariaram (e foram pagos) para beber o equivalente a um copo de dose de uma bebida salgada e turva, que era, na verdade, a própria bactéria que induz à doença.

Os voluntários, então, foram vacinados — ou não, com metade deles recebendo doses de placebo para controle do estudo — com a nova candidata a vacina contra o patógeno causador da disenteria. O que se seguiu foram casos de diarreia e sintomas pouco agradáveis: uma das cobaias, Jake Eberts, tomou sua dose no dia 5 de abril e relatou toda a experiência via Twitter.

Bactéria Shigella, responsável por causa a disenteria bacteriana ou shigelose, em amostra de fezes (Imagem: CDC/Public Health Image Library)
Bactéria Shigella, responsável por causa a disenteria bacteriana ou shigelose, em amostra de fezes (Imagem: CDC/Public Health Image Library)

Diário de uma disenteria

Segundo Jake, o que seguiu-se à dose de shigella foram as oito piores horas de sua vida. Monitorado por uma semana em uma instalação utilizada para a pesquisa, ele tinha de fazer exames de fezes exaustivamente, já que a evidência de que a vacina funciona deve aparecer nos anticorpos (anti-shigella IgA) expelidos com os dejetos dos pacientes, além do número e tipo de citocinas circulando nas fezes.

O voluntário também conta como era difícil se mover: a cada ação no banheiro, como levantar para lavar as mãos ou pegar toalhas de papel, ele se sentava por cinco minutos para descansar. Cada movimento, diz ele, era excruciante. Jake, no entanto, lembra que não é "nenhuma Madre Teresa": ele recebeu mais de US$ 7.000 (ou seja, mais de R$ 35.500) para participar dos testes.

Relatando ter pensando constantemente em quão ruim é a doença, Jake ainda ficou emocionado — o que ele atribui também aos momentos de delírio causados pela doença — ao pensar nas crianças lidando com essa condição em países em desenvolvimento, onde o cuidado médico nem sempre é tão bom quanto o que ele recebeu.

Em certo momento, Jake diz que mal conseguia se mover. Mas ele garante que não houve motivo para preocupações: embora antibióticos não fossem administrados até o quinto dia dos 11 a 12 do teste, para fins de medir a resposta imune dos pacientes, caso algum perigo de morte surgisse, eles receberiam ajuda emergencial.

E foi o que aconteceu: as enfermeiras passaram a administrar litros de uma solução reidratante, que ele descreveu como "Gatorade triste" pelo gosto salgado, e, após ter uma febre de 39 ºC, recebeu fluidos intravenosos e antibiótico (ciprofloxacino, especificamente).

Enquanto estava no hospital, os relatos de Jake o ajudaram a arrecadar mais de US$ 24.000 para uma campanha que leva água à África sub-saariana, com o objetivo de evitar doenças como a disenteria, e ainda inspiraram dezenas de pessoas a se voluntariar para testes vacinais como o dele.

Jake não pode mais fazer testes com shigella, agora que já foi exposto à bactéria, mas considera fazer outros "desafios" vacinais como esse no futuro. Bem-humorado, ele ainda lembra que se motivou ao teste devido a um chamado cômico da equipe de pesquisa que faz referência à The Oregon Trail, jogo de 1971 onde você comumente perde ao morrer de disenteria.

O Dr. Wilbur Chen, que coordenou os testes, diz que o esperado é de pelo menos 70% de eficácia da vacina contra a disenteria — caso fique abaixo de 50% na luta contra sintomas severos, ela será descartada. Os testes são parte da fase 2, que procura checar a tolerância e eficácia contra casos graves. Se os resultados forem positivos, então a fase três, com testes em centenas de milhares de pessoas, incluindo crianças, poderá ser realizada.

Fonte: Canaltech

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