Volume de cana processada no Centro-Sul subirá 4,5%

O volume de cana-de-açúcar processado pelas usinas do Centro-Sul do Brasil na safra 2012/13 deve atingir 532 milhões de toneladas, alta de 4,52% ante as 509 milhões de toneladas moídas no ciclo anterior 2011/12, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

A projeção para a produção de açúcar na temporada 2012/13 deve totalizar 34,05 milhões de toneladas, alta de 4,13% sobre previsão feita em setembro.

No acumulado desta safra 2012/13, até 15 de dezembro, a entidade prevê a moagem de 528 milhões de toneladas. Considerada apenas a primeira quinzena de dezembro, o processamento deve alcançar aproximadamente 17 milhões de toneladas de cana. O processamento seguiu firme apesar de, neste período, normalmente os trabalhos já estarem concluídos nas usinas. No entanto, nesta safra, a indústria tenta compensar o atraso provocado pelas chuvas no início do ciclo.

Por meio de nota, o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, atribui o desempenho ao clima mais seco e à maior disponibilidade de cana-de-açúcar, que "fizeram com que as unidades produtoras adiassem o encerramento da safra, ampliando a moagem nos primeiros 15 dias de dezembro". No entanto, segundo Pádua, a maior parte das usinas já encerrou atividades e, a partir de agora, a moagem será residual e dependerá da intensidade das chuvas.

Etanol

A produção estimada de etanol na safra 2012/13, em fase final de colheita, deve alcançar 21,33 bilhões de litros, dos quais 12,48 bilhões de etanol hidratado e 8,85 bilhões de litros de anidro. O dado faz parte de levantamento da Unica apresentado nesta quinta-feira e corresponde a um crescimento de 6,63% sobre a projeção de setembro da entidade.

Em comunicado, a Unica informa que, apesar do aumento na produção de cana-de-açúcar, o faturamento das empresas do setor nesta safra 2012/13 poderá ficar aquém dos valores observados em 2011/2012. Em São Paulo, principal Estado produtor do País, o faturamento médio da indústria até novembro alcançava R$ 105,90 por tonelada de cana, queda de 6,72% em relação aos R$ 113,53 observados no mesmo período da safra anterior.

O etanol hidratado combustível vendido internamente continua sendo o produto menos atrativo para o produtor. A receita média obtida com a venda do produto nesta safra, acumulada de abril a novembro de 2012, alcançou apenas R$ 87,95 por tonelada de cana, valor consideravelmente inferior ao observado para o etanol anidro e o açúcar.

Presidente

A nova presidente da Unica, Elizabeth Farina, considera que o setor tem importantes desafios nos próximos anos. Entre eles, ela destaca a retomada dos investimentos, para garantir a expansão da indústria. "Precisamos aumentar produção, produtividade e eficiência", informa Elizabeth, que participou nesta quinta-feira em São Paulo de entrevista coletiva de balanço da safra de cana 2012/13.

Ela prevê, ainda, um cenário favorável para a produção de açúcar e etanol no Brasil no próximo ciclo 2013/14. No caso do etanol, Elizabeth cita demanda interna e externa pelo produto como fatores que devem impulsionar a produção. "O consumo nos Estados Unidos pode chegar a seis vezes o consumo brasileiro", argumenta a executiva.

Em relação ao açúcar, ela comenta que a procura pelo produto deve crescer por causa do aumento do consumo nos países emergentes.

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