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Volume aplicado por pessoa física atinge R$ 3,1 trilhões, mostra Anbima

Adriana Cotias

Cifra representa alta de 8,4% no acumulado do ano até setembro O volume aplicado por pessoas físicas em produtos financeiros aumentou 8,4% neste ano e alcançou R$ 3,1 trilhões em setembro. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a soma representa as posições de mais de 79 milhões de contas dos segmentos de varejo e de “private banking” das instituições financeiras do país.

O desempenho foi puxado pelo varejo de alta renda, com crescimento 14,3%, e pelo private banking, com 13,3%. O varejo tradicional apresentou recuo de 2,6% de dezembro de 2018 para cá.

De acordo com a entidade, essa queda está parcialmente associada ao reenquadramento de clientes feito por muitas instituições. O ajuste resultou na migração de investidores do varejo tradicional para o de alta renda. A Anbima lembra que os bancos definem seus critérios de segmentação nessas duas categorias.

No varejo, os fundos de investimento tiveram o maior crescimento no ano, de 9,1%, liderados pelos multimercados e pelas carteiras de ações, com altas de 23,8% e 80,4%, respectivamente. Os fundos imobiliários tiveram aumento de 69%, enquanto a alocação direta em ações subiu 39,8%.

Os produtos mais conservadores, como a poupança e o Certificado de Depósito Bancário (CDB), registraram desempenhos inferiores na comparação com o ano anterior. Enquanto o CDB teve recuo de 0,1%, a poupança cresceu apenas 3,2%.

“O resultado da caderneta foi impulsionado pela liberação do saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que vai direto para a poupança”, explica José Ramos Rocha Neto, presidente do fórum de Distribuição da Anbima, em nota da entidade.

Para ele, os resultados do trimestre mostram investidores mais confiantes em experimentar aplicações de maior risco. “Esse cenário não é privilégio apenas do private. No varejo, mesmo no tradicional, os investimentos em ações, fundos de ações e multimercados têm crescido significativamente.”

No private, que abrange os clientes com, no mínimo, R$ 3 milhões aplicados em ativos financeiros, as ações tiveram o melhor resultado no ano, com alta de 27,3%. Na sequência apareceram os fundos de investimento, com aumento de 14,5%. As classes de fundos ações e imobiliários se destacaram, com variações de 31,3% e 29,2%, respectivamente.

A previdência aberta cresceu 15%, enquanto os ativos de renda fixa perderam força, com incremento de apenas 1,8%. Neste conjunto estão títulos públicos (-3,6%), CDB (1,2%), LCI (-10,6%) e LCA (4,0%), entre outros.

Rocha nota que o volume financeiro do private teve um crescimento maior que o de 2018, com a variação subindo de 7,8% para 13,3%. “Enquanto o ano anterior foi marcado por incertezas comuns por conta das eleições presidenciais, os resultados atuais mostram a retomada da economia”, diz Rocha.