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Volta às aulas: conheça detalhes do plano de retomada na rede municipal do Rio

André Coelho
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Foto: André Coelho / Agência O Globo

Depois de quase um ano fechadas, as escolas municipais do Rio já têm data para voltar a receber seus alunos: dia 24 de fevereiro. A retomada, no entanto, será gradativa e opcional, com opção pelo ensino remoto e possibilidade de aulas híbridas, com revezamento de turmas caso a demanda seja maior que a capacidade de atendimento respeitando os protocolos de distanciamento ou que a lotação máxima da unidade de acordo com a classificação de risco da Prefeitura do Rio, que pode limitar a quantidade de estudantes a até 30% do total.

Outro fator que pode influenciar a retomada são as condições físicas de cada unidade da rede. Segundo o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, 44 das 1.543 unidades da rede estão em situação precária, e outas 432 necessitam de intervenções para receber as aulas respeitando protocolos de distanciamento e higiene.

— A escola só voltará se tiver primeiro o protocolo seguido à risca, segundo, a situação de infraestrutura e adequações referentes ao protocolo também, a disponibilização de recursos humanos, tudo isso faz parte para que a escola esteja apta para o retorno. — afirmou Ferreirinha.

O retorno também vai priorizar os alunos mais novos, da educação infantil e primeiro e segundo ano do ensino fundamental. A volta das demais turmas deve acontecer entre os dias 10 e 17 de março, segundo o planejamento da prefeitura. Confira os principais pontos da retomada da educação municipal:

Segundo a secretaria municipal de Educação, um aplicativo especial para as aulas remotas será lançado em meados de fevereiro. Chamado de RioEduca, ele terá franquia de 1 gigabyte liberada para acesso pelos alunos e pais, por meio de parceria entre prefeitura e operadoras. No aplicativo serão disponibilizados materiais didáticos e aulas gravadas em video, com avaliação de atividades por professores, em modalidade chamada de “não simultânea”.

Por meio da plataforma, alunos também terão aulas ao vivo com professores com carga horária definida de acordo com a série. Alunos do 6º ao 8º ano terão 10 horas semanais de aula virtual. Estudantes do 9º ano terão 15 horas por semana, Alunos mais novos terão carga horária definida por cada unidade.

O planejamento da prefeitura prevê ainda a disponibilização de um aplicativo para notificação de casos suspeitos, confirmados e contatos com casos por alunos e profissionais das escolas. Os registros serão integrados com a Saúde para determinação de isolamento nas escolas, que pode chegar ao fechamento temporário da unidade.

Segundo os critérios do plano, caso um estudante ou professor tenha suspeita ou confirmação de Covid-19, toda a turma passa para o ensino remoto por 14 dias. Professores ou estudantes que tiverem contato com pessoas que tenham a doença ficarão isolados individualmente por 14 dias, com a substituição do profissional, se possível. Caso mais de uma turma tenha casos de Covid-19 em intervalo menor que duas semanas, a secretaria pode decidir pelo fechamento temporário de toda a escola.

A decisão de reabrir as escolas foi defendida pelos especialistas que integram o comitê que auxilia a Prefeitura nas medidas relacionadas à pandemia. Consultor da Organização Mundial da Saúde e professor da Uerj, Carlos Alberto Oliveira criticou a decisão de manter as escolas fechadas por tanto tempo:

— Nós não podemos condenar que nos primeiros anos da educação escolar essa criança seja afastada da escola por mais de um ano. Não há justificativa — afirmou.

Infectologista da UFRJ e integrante do comitê de especialistas, Alberto Chebabo elogiou a reabertura das escolas, e lembrou que as unidades podem vir a ser fechadas temporariamente, mas defendeu a prioridade para a educação:

— O Brasil é o país do mundo que está há mais tempo afastado da educação adequada para a sua juventude. Não existe nenhum país do mundo que considerou as escolas com risco tão alto - afirmou ele - Educação não é só educação formal. O fechamento das escolas tem um impacto na educação cognitiva das crianças. As crianças precisam de socialização.

Médica pediatra e representante da Unicef no Brasil, Luciana Phebo também aprovou as medidas do plano de retomada:

— As crianças são as principais vítimas ocultas da pandemia - alertou - Já se sabe que a escola não é um espaço que dissemina o vírus quando implementa protocolos seguros, criteriosos, como esses adotados pela prefeitura.

Ex-secretária municipal de educação e especialista na área, Cláudia Costin também defende a retomada das aulas, mas alerta para a necessidade de adaptações nas escolas. Ela critica a inação dos governos, que deveriam ter iniciado essas intervenções ainda em 2020:

— O processo de retorno precisa acontecer. Para que isso aconteça de forma segura, e tem que ser, a gente tem que fazer pequenas obras em escolas para deixa-las em ordem. E não são coisas sofisticadas, é aumentar a ventilação e diminuir o tamanho de turmas, criar um processo de revezamento de alunos na volta as aulas, em que eles passam a ter aulas remotas em alguns dias e em outros nas escolas. Vamos ter que dividir em grupos e fazer um revezamento — afirma.