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De volta à praia: projetos sociais com atividades à beira-mar iniciam retomada

·8 min de leitura

RIO — Tenha sido pela necessidade de isolamento social ou pela falta de recursos, a pandemia de Covid-19 acabou por impedir que projetos sociais há muito oferecidos nas praias da Barra e do Recreio fossem realizados. Alguns estão parados desde março do ano passado, mas têm previsão de retorno no início de 2022. Outros conseguiram realizar uma edição em 2020 ou 2021, mas lutam para obter recursos e viabilizar a ação no ano que vem.

Na opinião de Luiz Phelipe Nobre, coordenador e sócio-fundador da ONG Adaptsurf, um dos princípios da inclusão social é a aglomeração. Algo que, a partir de 2022, quando pretende retomar as aulas de surfe adaptado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, terá que ser revisto. Por causa da pandemia, o projeto está parado desde março de 2020. Este ano, haverá, a princípio, três aulas, apenas para alunos já cadastrados na ONG: no próximo sábado e nos dias 6 de novembro e 4 de dezembro, todas no Posto 2, na Barra. Se a procura for grande, há possibilidade de haver turmas nos três domingos seguintes, no Leblon.

— Abriremos para todo mundo provavelmente a partir de fevereiro. Mas a dinâmica será diferente. Antes, conseguíamos colocar cinco ou seis alunos na água ao mesmo tempo, compartilhando materiais. Voltaremos com aulas mais individuais — diz Nobre.

O projeto continuará atendendo 30 pessoas. Mas, em vez de chegarem todas ao mesmo tempo, elas serão divididas em dois turnos.

— Os alunos vinham com a família e passavam o dia todo na praia. Isso não será mais possível. Na areia, as barracas serão instaladas a uma distância maior do que a de costume — diz o coordenador.

Para 2022, Nobre conseguiu, através de doações, sete novas cadeiras de rodas anfíbias, utilizadas para facilitar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida à praia e ao mar, cujo preço varia entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, e dez pranchas do tipo softboard, mais macias e com alças para melhor fixação do usuário, que custam R$ 1.500 em média. Para manter o projeto são necessários entre R$ 3 mil e R$ 4 mil mensais.

— Há muitos anos não contamos com patrocínio de empresas. Nossos recursos vêm da iniciativa privada e de doações de pessoas físicas. Nem sede temos. Guardo os materiais na garagem do meu prédio — comenta.

Outro projeto que ficou parado desde o início da pandemia foi o Praia Para Todos. Idealizado pelo Instituto Novo Ser, desde 2008 oferece diversas atividades na Barra e em Copacabana para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. A volta está programada para janeiro, com novidades: o Recreio (Praia do Pontal) e as cidades de Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Araruama e Saquarema, na Região dos Lagos, também serão contemplados.

— Tivemos um projeto aprovado na Lei de Incentivo Federal ao Esporte em 2018. Captamos antes de 2020, mas, com a pandemia, o prazo para execução foi flexibilizado. Por isso, faremos tudo em 2022 — diz Ricardo Gonzales, idealizador do programa.

Para ele, o retorno das atividades será um momento de celebração.

— Normalmente fazíamos um luau no final da temporada, mas, desta vez, queremos organizar um no início, para festejar a volta após quase dois anos— diz Gonzales, que na pandemia organizou lives e se comunicou com participantes do projeto através de grupos de WhatsApp. — Nós nos reunimos com profissionais de saúde e voluntários para discutir como poderíamos ajudar as pessoas e que conteúdos oferecer.

Programas se modificam e buscam novas fontes de renda

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe, o Cades, desenvolve ações sociais no Recreio há 18 anos. Em 2020, a instituição conseguiu levar a cabo o Projeto Surf do Bem através de parceria com o Hostel Longboard Paradise. Foram oferecidas aulas de surfe, skate e surfe adaptado para jovens entre 7 e 15 anos das comunidades Terreirão, Chico Mendes, Vila Amizade e Canal das Taxas. Para 2022, o Cades tenta de novo conseguir apoios privados e de pessoas físicas.

— A ideia é voltar em março com um projeto de quatro ou cinco meses, mas sem skate, para ficar mais simples e barato e facilitar a sua venda e execução. Ano passado não foi possível porque não tivemos patrocínio — diz Henry Ajdelsztajn, sócio-fundador do Cades.

Também para o ano que vem, ele busca os recursos necessários para realização da terceira edição do Rio Surfe Social. O projeto, inscrito no edital do Ministério da Cidadania, está aprovado. Falta, porém, parte da verba. Até o momento, o Cades conta com R$ 70 mil, menos de 10% do valor total do projeto, que é de R$ 1 milhão. O prazo para captar o mínimo necessário é julho de 2022.

— Seriam dois encontros semanais e três horas de atividade cada dia: uma de skate e duas de surfe, além de lanche no fim da tarde. Tudo isso durante um ano — comenta Ajdelsztajn.

Ex-aluno de projetos sociais anteriores do Cades e atual professor do Centro, Kauã Ricardo Miloni Souza, de 18 anos, fala da importância das aulas de surfe em sua vida:

— Fez com que eu não ficasse na rua sem fazer nada e me obrigou a estudar e tirar boas notas nas escola. Conheci Saquarema e São Paulo. No ano passado, juntei dinheiro e passei dez dias entre Ilhéus e Itacaré. Foi minha primeira viagem de avião.

Também no Recreio, na altura do Posto 12, o Instituto Superar oferece, até dia 28, aulas de surfe e vôlei sentado dentro do Projeto Detecção de Talentos Paralímpicos. Participam do programa 60 crianças e adultos dos 5 aos 40 anos, em situação de vulnerabilidade. A maioria é moradora do Terreirão e de comunidades adjacentes. A realização das atividades foi possível graças ao aporte de R$ 600 mil de uma empresa. O formato, porém, foi reduzido, já que o projeto, como foi pensado, custa R$ 1,2 milhão.

— Se conseguirmos toda a verba necessária para 2022, dobraremos o número de dias (atualmente são duas vezes por semana). Ou manteremos, mas colocaremos turmas em dois turnos. Em qualquer um dos casos, teremos a possibilidade de atender 120 pessoas em vez das 60 atuais — diz Patrick de Souza Gonçalves, diretor de esportes do Instituto Superar, que a partir do ano que vem passará a se chamar Instituto Incluir.

O projeto é feito em parceria com a Escolinha Jeronimo Teixeira, que cede os professores e conta com um trabalho social próprio, o Igualdade para Todos, há 15 anos.

— Normalmente, atendo 20 alunos com o dinheiro que vem da escola. Este ano foi possível chegar a 60 por causa do Superar. Durante a pandemia, ficamos quatro meses sem dar aula. Os alunos pararam de pagar mensalidade. Foi meio assustador, bateu um desespero porque a escola é a nossa fonte de renda — lembra Jeronimo Teixeira. — Quando o mergulho no mar foi liberado, o projeto voltou com mais força. As crianças estavam ansiosas.

Policiais lançam Futevôlei Presente

Se, em alguns casos, a pandemia atrapalhou a realização de projetos, em outros ela foi mais um obstáculo superado. Durante os três ou quatro meses iniciais do isolamento social, o surfista Dionísio do Santos se levantou muitas vezes às 4h30m para buscar em casa, no Terreirão, os seis alunos que atende em seu Surfe Solidariedade, no Recreio. Às 5h30m, já estavam todos no mar. Às 7h, acabava a aula. Para os alunos, foi uma grande mudança, uma vez que os encontros acontecem às 16h.

— Foi o que nos salvou. Tenho um hostel e uma escolinha particular de surfe, de onde saem parte dos recursos para o programa (ele também recebe doações). O hostel ficou fechado quatro meses em 2020. Mas, por sorte, meus alunos continuaram pagando a mensalidade e eu pude manter o projeto social — conta Santos.

Além de aprender a surfar, as crianças, que têm entre 10 e 16 anos, recebem treino funcional, alimentação e reforço escolar. Este ano, Santos conseguiu também plano dentário. Em média, gasta cerca de R$ 2.800 por mês com cada jovem:

— Gostaria de atender mais gente, mas não tenho recursos. Todo dia aparece uma criança (querendo entrar no projeto) e é duro dizer não. O ideal seria que as pessoas adotassem um aluno. Eu poderia ampliar o trabalho.

O Surfe Solidariedade existe desde 2007. Santos, então um dos instrutores, assumiu o comando em 2012, após a saída do amigo Celso Figueiredo, idealizador do projeto.

— Nasci em Nova Iguaçu e vim morar no Recreio com 11 anos, depois que meu pai trocou nosso Fusca pela casa. Quando vi o mar, não quis mais sair daqui. Também comecei a surfar através de um projeto social. Esse esporte mudou a minha vida — diz.

A inclusão também é um dos objetivos do Futevôlei Presente, projeto da Operação Barra Presente, recém-iniciado nas areias do Posto 8, na Barra. A aula inaugural ocorreu na última quinta-feira. A partir desta semana, os encontros serão às sextas-feiras, das 8h às 10h. Participarão deles 30 jovens entre 11 e 17 anos, moradores da Cidade de Deus.

— A Barra é o bairro do Rio com uma das maiores orlas. Quis unir isso ao atrativo número um, que é sempre a bola. Por isso, escolhi o futevôlei. A intenção é tentar mitigar um pouco a desigualdade social — explica o Capitão Gerson Castelo Branco, coordenador do Barra Presente e idealizador do projeto.

As aulas serão ministradas por policiais do Barra Presente, alguns formados em Educação Física, além de profissionais contratados pela Secretaria de Estado. Assistentes sociais vinculadas àOperação farão o acompanhamento escolar dos jovens.

— Prestamos 3.300 atendimentos sociais em um ano e dez meses de Barra Presente. Os mandatos de prisão beiraram os 240. O social é o nosso forte — diz Castelo Branco, que contou com a ajuda de empresários da região para a compra de uma rede profissional de vôlei, cerca de cem camisetas padronizadas, uniformes e bolas.

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