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Você sabe o que é intersexualidade? Entenda a condição

Emily Santos
·4 minuto de leitura
Confusion or Choice.Vector
Você sabe o que é intersezualidade? Foto: Getty

Existe muita confusão em torno de assuntos como gênero e sexualidade, e um dos mais confusos é a intersexualidade. Você sabe o que é isso?

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 1% da população mundial nasce com características sexuais e reprodutivas que não se encaixam nas definições típicas de feminino ou masculino. 

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Isso quer dizer que são mais ou menos 70 milhões de pessoas que nasceram com características anatômicas masculinas e femininas ao mesmo tempo. 

Em alguns casos de intersexualidade, os médicos podem ter dificuldade para dizer se o bebê tem um pênis ou uma vagina. Também pode acontecer da pessoa nascer com pênis, mas ter útero e ovário. Ou mesmo a criança nascer, por exemplo, com cromossomos masculinos, mas possuir um corpo descrito como feminino. 

Na maior parte das vezes, não é possível identificar essa condição a primeira vista. Nestes casos, somente exames clínicos vão identificar a situação. Mas pode acontecer também da pessoa nunca notar algo que sinalize a condição, e assim passe a vida toda inconsciente da dualidade anatômica. 

Por tudo isso, muitos estudiosos discordam da ideia de que existem apenas dois sexos biológicos, o homem e a mulher, e consideram a intersexualidade como um terceiro gênero biológico. 

Intersexualidade não é doença 

A intersexualidade é uma condição que pode causar a necessidade da busca por um médico, mas não é uma doença nem precisa, necessariamente, de correção. Tratamentos, no entanto, podem ser indicados em casos que a condição cause mau estar físico, como por exemplo cólicas menstruais em um corpo aparentemente masculino que não menstrua. 

Apesar disso, a regra geral é que, uma vez que seja clinicamente identificada a intersexualidade de uma pessoa, o médico tem a autonomia para determinar o gênero daquela pessoa. Isso significa que, se o médico definir que a paciente é uma mulher, por exemplo, ele pode intervir com tratamentos hormonais ou até cirurgicamente para alterar a genitália que não condiz com esse gênero.

Ativistas da intersexualidade

Os ativistas da condição são contra a autonomia médica na decisão de definir o gênero de uma pessoa intersexo. Eles defendem que os pais esperam a criança crescer, entenda a própria condição e então decida se ela quer ou não ser submetida a tratamentos de adequação de gênero. 

A justificativa é que algumas pessoas podem se sentir bem com a própria condição e não sintam a necessidade de serem "corrigidas" clinicamente. 

Ser intersexo tem algo a ver com sexualidade?

Pessoas intersexo não são, por natureza, homossexuais. Ou seja, não é porque uma pessoa é intersexo que ela é automaticamente gay, lésbica ou bissexual. 

A intersexualidade também não tem relação com a transexualidade, que é a mudança de gênero. Toda mudança a qual uma pessoa intersexo é submetida é para adequá-la, e não para mudá-la. 

Como é ser uma pessoa intersexo?

A russa Irina Kruzemko é uma pessoa intersexo e ativista. Ela narrou que cresceu como uma garota normal, até que chegou a puberdade e seu corpo não passou pelas mudanças esperadas, seus seios não cresceram e ela não menstruou. "Eu tinha certeza que era como qualquer outra garota, mas não estava me desenvolvendo como uma". 

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O medo pelas mudanças que não vinham fez Irina buscar ajuda médica para entender o que estava acontecendo. Em Moscou, capital da Rússia, os médicos fizeram testes e procedimentos, mas nunca lhe falaram nada. "Só quando eu tinha 22 anos que assisti um vídeo sobre como é ser intersexo. Eu pensei que estava ficando louca. As histórias que vi no vídeo eram exatamente iguais às minhas. "

Foi somente quando pensou em conferir os relatórios médicos que ela descobriu que tem os cromossomos X e Y, que são os que homens geralmente têm. Irina também não possuía ovários como a maioria das mulheres, mas possuía um pequeno ovário na barriga que foi retirado durante um procedimento médico, sem avisá-la. 

Após descobrir que era uma pessoa intersexo, Irina passou a estudar, se tornou ativista e dá palestras sobre o assunto. Para ela, a luta é para mudar a forma como a maioria das instituições médicas veem as pessoas intersexo e parem de tratar a condição como uma doença passível de intervenção.