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Você realmente ouve o que lê? Ilusão auditiva viraliza e divide opiniões na web

Nathan Vieira
·4 minuto de leitura

Lembra quando a internet enlouqueceu por causa daquele viral de "Yanny ou Laurel"? Então. Na última quinta-feira (30), aconteceu algo bem semelhante: um áudio com duas possibilidades acabou viralizando e dividindo os internautas. Trata-se de uma publicação compartilhada a princípio no TikTok, mas que aos poucos foi tomando conta de outras redes sociais.

No vídeo em questão uma voz pode ser ouvida dizendo "green needle" ou "brainstorm". A gravação pede aos espectadores que escutem o mesmo som duas vezes, lendo cada uma das palavras, que aparecem na própria tela. Assim, de acordo com a legenda, "você ouvirá apenas a palavra que está lendo". Ficou curioso? Então assista à postagem e faça o teste:

Frente a isso, um veículo de notícias canadense chamado CTVNews entrevistou Jessamyn Schertz, professora assistente do Departamento de Linguística da Universidade de Toronto, e a especialista confirmou: o que um indivíduo ouve pode mudar, dependendo da palavra que está sendo lida na tela e, portanto, a que a pessoa está pensando. "Cada vez que uma palavra é pronunciada, as propriedades físicas do som produzido são muito diferentes — isso se deve a diferenças fisiológicas entre diferentes oradores, ou diferentes estilos de fala e diferentes ambientes de escuta", afirmou Schertz.

Isso seria uma ilusão auditiva, ou seja, falsas percepções de um som real ou estímulo externo equivalentes a uma ilusão de ótica. A pessoa ouve sons que não estão presentes no estímulo, ou sons que não deveriam ser possíveis. Dadas às circunstâncias da geração desses sons, Schertz disse que a mente pode fazer uma troca rápida entre as palavras, pensando na segunda frase enquanto ouve o arquivo de áudio. Isso faz com que os ouvidos e o cérebro se prendam ao segundo padrão acústico percebido, apesar de ouvir a primeira palavra anteriormente.

"Os humanos estão tão acostumados a ouvir a fala que parece fácil e sem esforço, mas, na verdade, reconstruir a mensagem de alguém a partir dos sons que ouvimos é uma tarefa extremamente complexa. Apenas olhar uma palavra — ou mesmo fechar os olhos e imaginar uma palavra — influencia a maneira como ouvimos exatamente o mesmo som", explicou a especialista.

Mas e aí: "green needle" ou "brainstorm"?

O que você ouve, "Green needle" ou "brainstorm"? Ilusão auditiva viraliza e divide opiniões na internet <br>(Imagem: Reprodução/Gerd Altmann/Pixabay)
O que você ouve, "Green needle" ou "brainstorm"? Ilusão auditiva viraliza e divide opiniões na internet
(Imagem: Reprodução/Gerd Altmann/Pixabay)

É aí que você diz "Ok, Canaltech, eu já entendi! Mas e aí? Qual o certo?". Bom. Segundo a especialista canadense, "toda essa variação significa que não existe uma 'assinatura' única que defina uma determinada palavra, mas que existe uma grande variedade de sons possíveis correspondentes a uma palavra".

Vale destacar que essa não é a primeira vez que o teaser circula na internet. O clipe de áudio foi originalmente publicado em maio de 2018 no Reddit por um usuário chamado "squidjeep". O vídeo mostra um brinquedo que, quando ativado, diz "green needle" ou "brainstorm". No entanto, mais tarde foi revelado que o áudio queria transmitir "brainstorm" mesmo.

Para entender a fala, Schertz disse que o cérebro usa uma combinação de sons ou informações e expectativas com base no conhecimento do mundo real. "O conhecimento do mundo real que guia nossas escolhas pode ser o conhecimento sobre o contexto ou significado esperado, mas também pode ser nosso conhecimento ou experiência com a maneira como se faz um discurso", comentou.

De acordo com a canadense, quando as informações não são tão confiáveis, talvez porque a qualidade da gravação não seja boa ou porque estamos em um ambiente barulhento, indivíduos realmente começam a dar mais peso às expectativas. Curiosamente, algumas pessoas que ouvem o áudio podem insistir em ouvir "green needle", apesar de estarem erradas. Schertz disse que isso ocorre porque a gama de sons possíveis pode se sobrepor no cérebro, caindo nos domínios das duas palavras.

Fonte: Canaltech

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