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Vizcarra enfrenta Congresso peruano em processo de impeachment

Carlos MANDUJANO, Luis Jaime CISNEROS
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Vista do prédio do Congresso em Lima, em 16 de setembro de 2020, dias antes do início dos procedimentos de impeachment do presidente peruano Martin Vizcarra
Vista do prédio do Congresso em Lima, em 16 de setembro de 2020, dias antes do início dos procedimentos de impeachment do presidente peruano Martin Vizcarra

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, enfrenta nesta sexta-feira (18) um julgamento político que pode tirá-lo do poder, em um contexto de crise que mantém o país na incerteza, em meio à pandemia do coronavírus e à recessão econômica.

O popular presidente corre o risco de ser destituído pelo Congresso, dez meses antes do término de seu mandato, e de ter um destino semelhante ao de seu antecessor Pedro Pablo Kuczysnki (2016-2018), que também não foi capaz de completar seu mandato por ser forçado a renunciar sob pressão do Parlamento.

Vizcarra é acusado de instigar duas assessoras a mentirem em uma investigação sobre a contratação de um cantor. 

Na quinta-feira (17), o Tribunal Constitucional rejeitou uma medida cautelar solicitada por Vizcarra para suspender o julgamento.

A juíza Marianella Ledesma destacou que o tribunal não concedeu a medida cautelar, porque "o risco de vacância diminuiu", sinal de que os inimigos de Vizcarra não teriam votos para destituí-lo.

Vizcarra, que designou o advogado Roberto Pereira Chumbe para defendê-lo no julgamento do Congresso, denunciou "um complô contra a democracia". 

O engenheiro de 57 anos tem grande popularidade desde que assumiu o poder em 2018, após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, do qual era vice-presidente.

Não há lutas ideológicas nessa polêmica, já que tanto o presidente quanto a maioria parlamentar são de centro-direita. 

Também não estão em discussão os grandes problemas do Peru - a pandemia do coronavírus e a recessão econômica. Parece apenas se tratar de uma disputa pelo poder, na qual a situação com o cantor é somente um pretexto.

Em pesquisas, redes sociais e ruas (com panelaços), já foi possível compreender o apoio a Vizcarra: oito a cada dez peruanos querem que ele permaneça à frente do Executivo, segundo pesquisa da Ipsos. 

Esse processo lembra duas iniciativas semelhantes contra seu antecessor Kuczynski (2016-2018), que levou à renúncia do ex-banqueiro, também no contexto de batalhas com o Congresso.

"A rapidez com que este processo está sendo realizado reflete uma crise das instituições, o que desacredita ainda mais o sistema democrático perante o povo", comentou à AFP o analista político Augusto Alvarez Rodrich.

Se for destituído, o chefe do Congresso, Manuel Merino, político discreto quase desconhecido dos peruanos, assumirá as rédeas do país. O mesmo aconteceu com Vizcarra, quando tomou posse como presidente, em 23 de março de 2018.

A sessão plenária que vai decidir seu futuro foi marcada para as 9h locais (11h de Brasília), uma semana depois de o Parlamento ter aprovado o processo por 65 votos a favor, 36 contra e 24 abstenções.

Após as argumentações, os legisladores debaterão antes de votar a destituição.

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