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'Vivi para contar': 'Minha irmã autorizou uso da cloroquina no desespero, para tentar salvar meu pai'

·4 minuto de leitura

SÃO PAULO — Fui eu que internei meu irmão. Manoel Messias Freitas Filho. Mesmo nome do meu pai, que também morreu de Covid. Na minha família, todo mundo pegou. Meu irmão passou mal no dia 14 de março do ano passado, e dois dias depois morreu. Na época falaram que era a primeira morte pelo coronavírus no país. Depois saiu que foi outra senhora (Rosana Urbano, diarista). Tinha aquela coisa de que só pegava quem tinha ido para a Itália, mas meu irmão não viajou para lugar nenhum. Ele chegou no hospital da Prevent com febre, gemendo muito. Ele tinha diabete. A perna estava inchada, tinha problemas de circulação.

Lembro que o médico passou uns remédios para ele, colocou meu irmão no oxigênio, depois mandou para o primeiro andar para ser atendido por outra equipe, e para fazer uma tomografia do pulmão. Aí o médico disse que ia ter que internar. Não deu detalhes, só disse que o pulmão dele não estava bom. Eu peguei a papelada, assinei autorizando a internação. Ele não queria ficar internado. Deixei ele no quarto, falei que ele ia ficar bom. Mas, quando voltei à noite, já estava entubado. O médico logo desenganou. Muito triste. Vivemos um pesadelo.

Não sei se deram cloroquina para o meu irmão. Podem ter dado. Foi um dos primeiros casos. As pessoas estavam como cobaias. Seria um crime, mas podem ter feito isso. Se assinei algo sobre isso, não vi. Estava tão nervoso. O que autorizei foi só a internação. Quando meu irmão morreu, teve que ser enterrado no mesmo dia, era aquela coisa, ninguém podia ir. Mal deu para me despedir.

Meu pai foi internado dias depois. Primeiro não queriam fazer o teste de Covid. Queriam que pagássemos R$ 250. Meu pai tomou cloroquina. Minha irmã, no desespero, assinou a autorização na Prevent, para tentar salvar ele. Ele já tinha tido trombose. Foi internado dia 20 de março do ano passado. Morreu dez dias depois. Eu estava internado na época, mas no Hospital das Clínicas. Também tive Covid.

Fiquei no HC de 17 de março a 8 de abril. Foram 13 dias de UTI, um sofrimento danado. Agradeço muito aos médicos e enfermeiros de lá. Eles foram ótimos. Infelizmente, quando saí, soube que meu pai e minha irmã também tinham morrido de Covid, como meu irmão. Minha mãe também teve, mas se recuperou. Ainda tenho algumas sequelas. Afetou minha visão.

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Um ano e meio depois, a gente mal sai de casa. Só eu, que agora sou responsável por tudo. A casa ficou vazia. Moravam todos aqui. Pessoas que estavam bem. Agora somos eu, minha mãe e minha irmã. O sustento também ficou complicado. Infelizmente, estou sem trabalho. Era segurança de um prédio. Minha mãe recebe aposentadoria, e tem a pensão do meu pai. Com isso vamos nos virando. Aqui é um dia depois do outro.

Essa história destruiu a minha família. Ninguém nos procurou. Ninguém veio aqui. Não tivemos nenhum apoio. A única coisa foi um psicólogo para a minha mãe, para conversar, pela Prevent. Ela fez 84 anos. Estava tentando buscar de entrar na Justiça, mas preciso do prontuário do meu irmão. Ver o que foi escrito. Eu não tenho. Aqui em casa só tenho atestado de óbito. No do meu irmão, colocaram pneumonia, com "suspeita de Covid".

Não sei se valeria a pena entrar na Justiça. Conversei com dois advogados. Um acha que eu poderia entrar, outro diz que não valeria, porque não tenho provas de nada. Que seria um processo longo, que eles vão recorrer. Ele disse ainda que eu ainda teria que pagar honorários se eu perdesse. Mas eu queria entrar. Falar dos danos, de omissão de morte. Talvez consiga ver algo na Defensoria. Eles (a Prevent) não agiram bem. Naquela época não existia um procedimento, não se sabia como agir com tudo isso.

Assisti algumas sessões da CPI. Vi a história da mãe do Hang, da cloroquina. Acho que o diretor da Prevent mentiu muito. É difícil. Ver os vídeos, as ameaças aos médicos. É triste. Muitas vidas se foram. Também perdi duas primas, um primo mais recentemente. Há muito tempo já se sabia que a cloroquina não servia para nada. Só na cabeça do presidente. O povo vivendo uma pandemia, pessoas na rua passando miséria e ele achando tudo uma maravilha. A vida é tudo, quando se tem saúde. Muita gente morreu por incompetência. Para essas pessoas, parece que a vida não vale nada.

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