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Vítima de espancamento, Elaine Caparroz sai para vereadora por direitos das mulheres

João de Mari
·3 minutos de leitura
Elaine Caparroz é candidata a vereadora em São Paulo (Foto: Reprodução)
Elaine Caparroz é candidata a vereadora em São Paulo (Foto: Reprodução)

A empresaria Elaine Peres Caparroz, de 56 anos, está concorrendo a vereadora por São Paulo pelo direito das mulheres nas eleições de 2020. Ativista contra a violência doméstica, Elaine ficou conhecida nacionalmente após ter sido vítima de espancamento e tentativa de feminicídio pelo lutador Vinícius Serra que a agrediu por cerca de quatro horas. Ela disputa o cargo pela sigla do partido Democratas, o DEM.

“Conto com o apoio não só das mulheres mas também dos homens, porque acho que temos que lutar pelos nossos direitos, pela nossa família. Quero dizer que muitas mulheres morrem todos os dias por causa da violência doméstica, mas que como vereadora eu não irei falar apenas disso”, disse ela em uma transmissão ao vivo onde apresentou a estrutura de seu comitê político localizado na região central de São Paulo.

A agressão sofrida por Elaine ocorreu no dia 16 de fevereiro de 2019, durante um encontro em seu próprio apartamento na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro. À época, Elaine foi encontrada desacordada e seu rosto estava completamente desfigurado, o que causou comoção em todo país.

Aquela teria sido a primeira vez em que o agressor e a vítima se encontraram depois de oito meses conversando pela internet. Na portaria, o homem forneceu outro nome ao acessar as dependências do edifício, identificando-se como Felipe. Ele foi preso em flagrante e inquérito da Polícia concluiu que o crime foi premeditado.

Vinícius responde por tentativa de homicídio triplamente qualificado (meio cruel, mediante dissimulação e contra mulher por razões da condição do sexo feminino. Ou seja, feminicídio). Elaine levou 60 pontos na boca e teve diversos ferimentos, entre eles fraturas no rosto, no nariz, no fundo de um olho e em três raízes dentárias.

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No Brasil, os dados sobre esse tipo de crime são alarmantes. Para se ter ideia, uma mulher foi morta a cada 9 horas apenas durante pandemia do coronavírus, segundo levantamento do “Um vírus e duas guerras”, resultado de uma parceria entre veículos de comunicação que visa monitorar a evolução da violência contra mulher. Entre março e agosto, ou seja, em apenas seis meses, ao menos 497 mulheres morreram — uma média de três feminicídios por dia em seis meses de pandemia.

Após o episódio, Elaine passou a liderar movimentos de enfrentamento à violência doméstica. Embora garanta que, caso seja eleita, suas pautas não serão apenas voltadas às mulheres, ela não esconde que estar viva é “um milagre”. “Gostaria de dizer que fui um milagre e que vou lutar pelas mulheres”, afirmou ela em uma rede social.

O crime aconteceu em seu apartamento no Rio de Janeiro, cidade onde vivia, porém, Elaine resolveu apostar na candidatura a vereadora pela cidade de São Paulo. Em uma rede social, ela foi questionada por um seguidor: “Pensei que você fosse do Rio...”. Ela prontamente respondeu. “Sou paulista”.

As eleições de 2020 acontecem nos dias 15 e 29 de novembro. Serão eleitos vereadores, vice-prefeitos e prefeitos em todos os municípios do Brasil.