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Visão do futuro de Botín recompensa Santander na era Covid

Charlie Devereux

(Bloomberg) -- Bancos globais discutem como e quando trazer de volta com segurança milhares de funcionários aos escritórios após o surto de Covid-19, mas as duas maiores instituições financeiras da Espanha serão poupadas de algumas das dores de cabeça que preocupam rivais.

Há cerca de duas décadas, o então presidente do conselho do Banco Santander, Emilio Botín, já falecido, retornou de uma viagem aos escritórios da First Union (agora parte do Wells Fargo & Co) na Carolina do Norte com uma ideia sobre o futuro do banco: unir os 20 escritórios do Santander em Madri em um vasto campus. Ele contratou o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker, Kevin Roche, que em 2002 começou a construir uma cidade financeira a oeste de Madri. A iniciativa criou uma tendência: em 2010, o BBVA, segundo maior banco da Espanha, iniciou seu próprio complexo ao norte da capital.

Botín queria espaço suficiente para acomodar os funcionários no polo de seu império em rápida expansão, completo com serviços como creche e instalações esportivas, incluindo um campo de golfe. Essa visão agora pode trazer recompensas inesperadas, quando funcionários do Santander e BBVA começam a retornar aos escritórios em um dos países mais atingidos pela pandemia. As estruturas baixas dos centros corporativos minimizam questões como elevadores lotados e a necessidade de transporte público, que cria gargalos para rivais em Londres, Paris ou Milão.

O complexo do Santander pode não ter sido construído com uma pandemia em mente, “mas agora é uma vantagem competitiva”, disse Ricardo Wehrhahn, sócio-gerente da Intral Strategy Execution, em Madri, que assessora bancos. “Há menos densidade populacional, mais espaço, escritórios modernos e tecnologia para acesso e estacionamento, o que significa que você pode se adaptar melhor a crises como esta.”

Os 8 mil funcionários que trabalham no centro corporativo global do Santander estão espalhados por nove edifícios, a maioria dos quais não tem mais do que três andares. O Santander disse que 85% dos funcionários vão trabalhar de carro, usando estacionamentos subterrâneos ou a rua nos arredores do complexo.

O complexo inclui um centro de treinamento com hotel anexo, instalações esportivas e de saúde e uma floresta replantada. O local conta com 1.220 oliveiras, incluindo 11 com mais de 1.000 anos. O banco recomprou recentemente a propriedade depois de vendê-la por 1,9 bilhão de euros (US$ 2,1 bilhões) para Marme Inversiones, que pediu recuperação judicial em 2014.

O Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, ou BBVA, concluiu seu campus nos arredores de Madri em 2015. Seus sete escritórios baixos são construídos em torno de uma praça da qual se ergue a torre La Vela. O complexo possui ruas de paralelepípedos cobertas com toldos e plantas durante o verão e rodeadas por jardins, pátios e cursos de água.

O Herzog & de Meuron, estúdio de arquitetura suíço mais conhecido pela reforma do museu Tate Modern de Londres e do estádio olímpico “Ninho do Pássaro” de Pequim, disse que o complexo foi inspirado em jardins árabes e projetado para incentivar as pessoas a usarem escadas em vez de elevadores.

Mais de 90% dos 7 mil funcionários que normalmente trabalham no campus estão localizados em prédios de no máximo dois andares, o que significa que podem evitar elevadores, disse Borja Eugui, chefe de administração de instalações, construção e sustentabilidade do BBVA. Há capacidade de estacionamento para cerca da metade dos funcionários e linhas de ônibus particulares que saem do centro da cidade.

“As amplas instalações interconectadas são claramente uma vantagem, especialmente nas primeiras fases da reincorporação”, disse Eugui por e-mail. “À medida que incorporamos funcionários, reorganizaremos os espaços de trabalho.”

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