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Virologista da Fiocruz alerta para o risco de formação de novos supervírus

Fidel Forato
·4 minuto de leitura

Nos últimos meses, as redes sociais, as pessoas, as autoridades e o mundo giraram — e ainda devem girar no futuro — em torno de discussões sobre o coronavírus SARS-CoV-2. Mesmo que a COVID-19 seja a maior ameça, é possível que outros agentes infecciosos surjam e ganhem destaque, sendo até mesmo mais perigosos. De acordo com o virologista Fernando do Couto Motta, existe o risco iminente da chegada de novos supervírus.

Chefe substituto do Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Motta debateu sobre os próximos desafios que a sociedade pode encontrar na batalha contra os agentes virais, durante o Foro Inteligência — evento criado para discutir assuntos de interesse do BRICS, uma sigla que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — na terça-feira (23). "Não fique surpreso se outras grandes epidemias se alastrarem pelo mundo mais vezes", comentou o virologista.

Além do coronavírus, outros agentes infecciosos podem se espalhar pelo mundo com êxito (Imagem: Reprodução/IciakPhotos/Envato Elements)
Além do coronavírus, outros agentes infecciosos podem se espalhar pelo mundo com êxito (Imagem: Reprodução/IciakPhotos/Envato Elements)

Cenário favorável para os vírus

De acordo com o virologista, é uma tendência que os vírus desencadeiem, de forma sistemática, mais prejuízos à humanidade, em decorrência de modificações e alterações no ambiente. Essas mudanças podem ocorrer por uma série de causas, como o aquecimento global, a derrubada de florestas, a abertura de estradas ou a domesticação de animais silvestres. De forma geral, as causas estão relacionadas ao comportamento humano na natureza. "Essas situações nos colocam em contato com novos reservatórios de parasitas e forçam os vírus a se adaptar, com a busca de novos hospedeiros como o ser humano", comentou Motta.

Em paralelo a esse cenário, a população mundial nunca foi tão numerosa e grandes comunidades estão reunidas, de forma bastante concentrada, em centros urbanos. Para um vírus, esses locais podem ser vistos como uma concentração de hospedeiros, de fácil contaminação. Com o excesso de interações humanas nesses ambientes, é mais difícil controlar a transmissão ou eliminar um agente infeccioso. "Nesses casos, a evolução tende a favorecer vírus de ação rápida e devastadora. A realidade em que vivemos automaticamente seleciona agentes mais virulentos", explicou o virologista.

Alta probabilidade de mutação viral

Outra questão importante destacada pelo virologista é a facilidade com que os vírus mutam e trocam genes e o potencial risco que isso acarreta para a vida humana. Afinal, essas mutações permitem que esses agentes infecciosos evoluam de forma muito mais rápida que outros grupos, como as bactérias. Elas são compostas por organelas, e é a partir delas que produzem energia.

De estrutura simples, vírus dependem de hospedeiros para se proliferar (Imagem: Reprodução/Pete Linforth/Pixabay)
De estrutura simples, vírus dependem de hospedeiros para se proliferar (Imagem: Reprodução/Pete Linforth/Pixabay)

Por outro lado, os vírus são apenas "um conjunto de DNA e enzimas embrulhadas para presente em uma camada de proteína", descreveu Motta. "Para se replicar, ele precisa invadir outros seres e se apropriar dos instrumentos de que eles dispõem. Os vírus têm algumas características de seres vivos, como gerar descendentes, e não têm outras, como uma existência autônoma", complementou. Em outras palavras, essa simplicidade estrutural dos vírus os beneficia, desde que haja um hospedeiro. "Ninguém sabe dizer quantas doenças eles causam. O que se conhece são algumas maneiras com que eles causam tanto estrago", apontou o pesquisador.

Como os vírus surgiram?

Quando comprados, os vírus são milhares de vezes menores do que uma bactéria e, por isso, só podem ser vistos através de microscópios eletrônicos. Hoje, a ciência ainda não compreende de que forma eles surgiram, no entanto, uma das hipóteses é de sejam formas de bactérias que perderam várias organelas e a capacidade de viver, de forma autônoma. Outra ideia é de que seriam pedaços de células que se desprenderam de um organismo maior.

Independente de como os vírus surgiram, estão há milhões de anos no planeta Terra e interferiram, de forma ativa, na evolução de quase todas as espécies. De acordo com o virologista da Fiocruz, um desses exemplos está no próprio DNA humano. Em um mapeamento do genoma humano, é possível identificar sequencias genéticas de vírus escondidas nele.

Este evento reuniu o BRICS Policy Center e a Insight, com o apoio do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio e da Casa de Afonso Arinos. Para assistir o encontro completo com o virologista Motta, durante o Foro Inteligência, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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