Mercado fechado

Violência é causa central de migração para os EUA, diz relatório

Valor

Quase metade dos cidadãos de Honduras, Guatemala e El Salvador que tentaram acesso pelo México tiveram um membro da família morto, segundo Médicos Sem Fronteiras Quase a metade dos cidadãos de Honduras, Guatemala e El Salvador que se dirigem ao México para tentar entrar nos EUA citam pelo menos um evento de situação de violência como determinante para sua decisão de migrar, mostra relatório divulgado pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Mais de um terço deles já tinha se submetido a deslocamentos internos pela mesma razão.

E, no caminho em busca de proteção, muitos desses migrantes seguem expostos a riscos. Segundo o relatório, 57,3% dos entrevistados foram expostos à violência em várias de suas formas durante a migração.

O estudo mostra que 61,9% dos migrantes disseram à MSF que foram expostos a alguma situação de violência nos anos anteriores à saída de seus países — embora nem todos tenham apontado esta como a principal razão para emigrar. Entre os entrevistados, 42,5% disseram ter alguma pessoa da família morta de forma violenta e 9,2% afirmaram ter tido algum familiar sequestrado.

Grande parte dos entrevistados relata ainda ter sofrido consequências da guerra entre gangues armadas e forças policiais de seus países. Eles informam ainda ter sofrido com agressão a familiares (20,8%), extorsão (14,9%) e tentativa de recrutamento forçado por quadrilhas (10,5%).

Imigrantes de países da América Central aguardam no México por asilo dos EUA

AP Photo/Gregory Bull

Em relação ao tipo de violência sofrida durante a estada no México, 24,7% disseram ter sofrido algum tipo de agressão física, como violência sexual e tortura. A maior parte dessas agressões também são atribuídas a grupos mexicanos de crime organizado.

Desde que Donald Trump assumiu em 2017, o governo americano tem qualificado os imigrantes de “ameaça para a segurança nacional” e reduziu drasticamente o número de refugiados aceitos no país.

Em novembro de 2019, Trump firma uma ordem para reduzir o limite de admissão para 18 mil refugiados em 2020, nível mais baixo na história.

Dos 480 entrevistados pela MSF, 434 são homens, 37 são mulheres e 9, transgêneros.