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Viagens espaciais de longa duração afetam fluxo sanguíneo de astronautas

Daniele Cavalcante

Missões espaciais podem oferecer riscos já conhecidos à saúde dos astronautas, como perda de massa muscular e ossos se tornando mais quebradiços. Agora, a NASA descobriu mais um efeito negativo da permanência prolongada em microgravidade, e desta vez é algo bem mais perigoso: a interrupção e até a reversão do fluxo sanguíneo na parte superior do corpo.

Em um novo relatório da NASA, publicado na revista médica JAMA Network Open, os pesquisadores revelam que passar muito tempo no espaço pode afetar o modo como o sangue flui através de um importante vaso sanguíneo do corpo, fazendo com que ele pare ou flua no sentido oposto. "É por isso que alguns astronautas ficam com rostos inchados, porque não há gravidade para puxar os fluidos que circulam na parte superior do corpo", explica Michael Stenger, autor principal do estudo.

Durante o estudo, os pesquisadores examinaram 11 astronautas saudáveis ​​que ficaram a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) por uma média de seis meses. Durante as avaliações rotineiras de ultrassom no 50º dia das missões de cada um deles, sete apresentaram fluxo sanguíneo estagnado ou reverso na veia jugular interna esquerda, um vaso sanguíneo que passa pela lateral do pescoço. Um dos astronautas desenvolveu um coágulo na jugular, inclusive.

Esta descoberta é bastante inesperada para os cientistas. De acordo com o professor de medicina Andrew Feinbergtudo, “isso é muito anormal; na Terra, você suspeitaria imediatamente de um bloqueio, um tumor ou algo assim”."Se você tiver um coágulo na veia jugular interna, ele poderá ir para os pulmões e causar embolia pulmonar - isso é muito perigoso. Se isso acontecer em uma missão de longo prazo, pode ser calamitoso", continua.

Astronautas em caminhada espacial na ISS

A microgravidade também faz com que as veias fiquem bem inchadas e visíveis no pescoço dos astronautas, ou mesmo na cabeça, no caso dos carecas. Mas a preocupação de Stenger é o fluxo estagnado. "Se essas células do sangue não estão se movendo, elas começam a grudar umas nas outras, e é isso que chamamos de coágulo sanguíneo", disse ele.

Embora os riscos sejam preocupantes, a descoberta não é exatamente um empecilho para as viagens espaciais de longa duração. Na verdade, de acordo com especialistas, estudo deve levar ao desenvolvimento de tratamentos e intervenções para evitar esses problemas. Para o Dr. Ben Levine, cardiologista e professor de medicina, o inchaço encontrado nas veias dos astronautas não significa necessariamente que a pressão estava alta. Ele reconhece o perigo do coágulo sanguíneo, mas também afirma que novos estudos devem ser realizados, especialmente na busca por soluções e possíveis intervenções. "Estou intrigado com as descobertas do estudo, mas não excessivamente alarmado", disse ele.

O problema pode afetar de maneiera mais preocupante aqueles que se aventurarem em viagens de longa duração, com destinos a Marte, por exemplo. Mas missões como essas ainda devem demorar alguns anos para começarem a acontecer, o que dará tempo para os pesquisadores descobrirem como proteger ainda mais a saúde dos astronautas.


Fonte: Canaltech

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