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Via Varejo promete virada do negócio para 2020, vê alta superior a 30% em venda online

Por Gabriela Mello

Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) - A Via Varejo prevê alta de dois dígitos nas vendas totais em 2020, conforme reestrutura as operações e amplia os investimentos para transformar um negócio que vinha sendo frequentemente deficitário em líder do varejo brasileiro.

Só no comércio eletrônico, incluindo vendas de terceiros, a empresa projeta crescimento de mais de 30% para o ano que vem, disseram nesta terça-feira executivos da varejista de móveis e eletroeletrônicos na primeira reunião da nova administração da Via Varejo com investidores e analistas.

"A companhia deve ter sua performance melhorada trimestre após trimestre em 2020... Assumimos com a missão de fazer o maior turnaround do varejo brasileiro", afirmou o diretor-presidente, Roberto Fulchenberguer.

As expectativas surgem pouco mais de seis meses depois que o veterano do varejo Michael Klein e sua família tomaram do grupo supermercadista GPA o controle da Via Varejo em um leilão realizado em junho.

Desde então, a varejista de eletroeletrônicos e móveis demitiu alguns executivos, contratou outros e iniciou uma rigorosa revisão das práticas de negócio, incluindo uma investigação interna que até o momento encontrou evidências de fraude contábil entre o primeiro trimestre de 2018 e o segundo trimestre de 2019.

"Não vale gol de mão nesse negócio...Varejo é um negócio simples em que basta comprar e vender bem", afirmou o vice-presidente financeiro da Via Varejo, Orivaldo Padilha.

A companhia espera concluir em fevereiro a terceira fase da investigação, iniciada após uma denúncia anônima em setembro deste ano, acrescentou Padilha

Por enquanto, a Via Varejo estima uma queima de caixa de 900 milhões de reais para os próximos três a quatro anos. Somente no quarto trimestre, a empresa vê um impacto de até 1,4 bilhão de reais em seu lucro líquido.

Questionado se a empresa planeja entrar com uma ação judicial contra o antigo controlador GPA, o vice-presidente financeiro ressaltou que ainda não há clareza suficiente para determinar possíveis medidas judiciais cabíveis.

"Por enquanto, todos os envolvidos eram funcionários de médio escalão da própria Via Varejo, mas a investigação continua", contou Padilha.

As ações da Via Varejo saltaram quase 56% desde 13 de novembro, quando a empresa anunciou o início da investigação.

Por volta das 17:40, os papéis da companhia cediam 2%, a 11,02 reais, enquanto o Ibovespa tinha alta de 0,6%. No ano, as ações acumulam valorização de cerca de 150%, contra elevação de quase 28% do Ibovespa.


PLANOS DE EXPANSÃO PARA 2020

A Via Varejo pretende investir entre 700 milhões e 800 milhões de reais no próximo ano, principalmente na abertura de lojas, reformas e em tecnologias para ganhar eficiência no comércio eletrônico.

Nos nove primeiros meses de 2019, a companhia investiu 322 milhões de reais, segundo o mais recente balanço.

Além de inaugurar 90 novas lojas - principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde seu desempenho supera em 10% a média nacional, a varejista planeja reformar 100 das 1.071 unidades existentes, segundo o vice-presidente comercial e de operações, Abel Ornelas.

Ao mesmo tempo, a Via Varejo vê potencial para reduzir as despesas recorrentes de 4% para menos de 1% das vendas ao longo do próximo ano, conforme Padilha.

Outra meta para 2020 é monetizar a base de dados do grupo, que atualmente já conta com 87 milhões de clientes, dos quais 22 milhões fizeram pelo menos uma compra nos últimos 12 meses, contou o vice-presidente de inovação digital, Helisson Lemos.

Parcerias para desenvolver competências digitais também estão no radar e ocorrem enquanto rivais como o Magazine Luiza avançam nesta área. "Tempos ativos que podem ser interessantes para empresas, desde startups até as grandes", explicou Lemos. Entre as iniciativas já em andamento, ele destacou a carteira digital Banqi, cuja implementação em nível nacional está prevista para janeiro.

A Via Varejo ainda considera futuramente se desfazer de alguns ativos não essenciais para focar no varejo, conforme Padilha. "Nosso negócio é o varejo, não operar frota de caminhões."

Fulchenberguer acrescentou, no entanto, que atualmente a empresa não está considerando a venda da plataforma Extra.com, em um contraponto às indicações feitas na semana passada por executivos do GPA de que as conversas estavam em andamento.

"Não temos nenhuma pretensão de vender, não faz sentido. Extra.com é um marketplace com nível de abertura de categorias muito relevante", afirmou o diretor-presidente.