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#Verificamos: É falso que TV Bandeirantes foi comprada pelo Partido Comunista Chinês

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Circula nas redes sociais um post que diz o Partido Comunista Chinês comprou a TV Bandeirantes. A publicação sugere que, por isso, o apresentador Luís Ernesto Lacombe foi demitido pela emissora, devido a críticas ao “projeto chinês de comprar o Brasil” feitas pelo blogueiro Allan dos Santos, do site Terça Livre, entrevistado por Lacombe na última terça-feira (23), durante o programa Aqui na Band. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

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“O Partido Comunista Chinês comprou a REDE BAND DE TV”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 17h do dia 26 de junho de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 350 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Em nota, a assessoria do Grupo Bandeirantes diz que a informação se trata de “fake news”. No e-mail enviado à reportagem, a assessoria envia um texto sobre o acordo de cooperação de conteúdo entre o Grupo Bandeirantes e a China Media Group, empresa estatal chinesa de mídia, em novembro de 2019.

O contrato, segundo a nota, prevê produções conjuntas e compartilhamento de conteúdo com o objetivo de promover o desenvolvimento das relações entre os dois países. O acordo ainda prevê parceria em produtos de entretenimento – como novelas, programas e documentários – e intercâmbio de tecnologias de rádio e televisão. O China Media Group reúne os principais veículos de comunicação chineses, como a rede de televisão aberta CCTV e o canal internacional de notícias CGTN. Um acordo semelhante foi assinado pelo grupo com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em novembro de 2019.

Ou seja, não há nenhuma relação de compra da Rede Bandeirantes no acordo entre as empresas. A Lei 10.610, de 2002, que trata da participação de capital estrangeiro nas empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens no Brasil, limita a participação de capital estrangeiro em até 30% do capital total e votante.

A TV Bandeirantes já havia renovado em 2017 um contrato de cooperação de conteúdo com a TV estatal chinesa CCTV. O acordo, assinado inicialmente em 2011, previa compartilhar e produzir conteúdo nas áreas do entretenimento, agricultura, música e jornalismo.

Saída de Lacombe

A Band anunciou na quinta-feira (25), por meio de uma nota, que o jornalista Luís Ernesto Lacombe decidiu deixar a emissora. De acordo com o texto, o programa Aqui na Band, que era apresentado por Lacombe, “está passando por reformulações”. “Diante desse novo momento, o jornalista e apresentador Luís Ernesto Lacombe decidiu seguir novos caminhos”, complementa a nota.

A polêmica começou quando, na terça-feira (23), o programa Aqui na Band recebeu o blogueiro Allan dos Santos, do portal Terça Livre, um dos principais alvos do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das “Fake News”, que que apura a divulgação de notícias falsas, ofensas e ameaças a ministros do STF. Com o tema “Você sabe o que é conservadorismo?”, o programa recebeu ainda o analista político Flávio Morgenstern, o jornalista Alexandre Garcia e o cientista político Marcus Vinicius Freitas. Na ocasião, Lacombe se definiu como “conservador”.

Reportagens publicadas na imprensa relatam que circulava a informação nos bastidores de que diretores da emissora estariam insatisfeitos com pautas vistas como tendenciosas e a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela atração matinal. Por isso, o programa passaria por uma reformulação. No dia 11 de maio, o Aqui Na Band, por exemplo, trouxe advogados para discutir o tema: “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”. A Polícia Federal já descartou, em dois inquéritos distintos, a existência de um mandante no atentado sofrido por Bolsonaro em setembro de 2018. Na nota enviada à reportagem, a TV Bandeirantes não comentou a demissão de Lacombe.

O apresentador, pelo instagram, também não comentou a demissão, mas fez uma postagem indireta nesta quinta-feira (25), ao citar o escritor Ruy Barbosa como defensor da “liberdade, da democracia e da justiça”. “Momentos de silêncio também são capazes de construir”, diz o texto.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés