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Vereador do Rio é preso acusado de matar enteado, polícia diz que mãe sabia de agressões

Rodrigo Viga Gaier
·3 minuto de leitura

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O vereador pelo Rio de Janeiro Dr. Jairinho (Solidariedade) foi preso nesta quinta-feira acusado de torturar e matar o enteado de apenas 4 anos de idade, e a mãe da criança também foi presa acusada pela Polícia Civil de saber das agressões sofridas pelo filho e, ainda assim, se manter ao lado do vereador, informou a polícia.

Os dois foram detidos em Bangu, na zona oeste, na casa de um parente, um mês após a morte do menino Henry Borel. Os dois ficarão presos por 30 dias também sob acusação de atrapalharem as investigações do caso, disse a polícia.

"A mãe não comunicou a polícia, não afastou o agressor de uma criança de quatro anos. Ela esteve em sede policial, prestando depoimento por quatro horas, dando uma declaração mentirosa e protegendo o assassino do próprio filho. Ela aceitou esse resultado. Ela se manteve firme ao lado dele, mantendo uma versão absolutamente mentirosa", disse a jornalistas o delegado do caso, Henrique Damasceno.

"Nós encontramos no celular da mãe prints de conversa que foram uma prova extremamente relevante, já que são do dia 12 de fevereiro, e o que nos chamou a atenção é que era uma conversa entre a mãe e a babá que revelava uma rotina de violência que o Henry sofria", acrescentou.

A criança vivia com a mãe e com o padrasto em um apartamento na Barra da Tijuca. O casal sempre negou envolvimento na morte, mas a Polícia Civil do Rio de Janeiro tratava os dois como investigados.

Ao longo de um mês de investigação a polícia ouviu quase 20 pessoas, incluindo o casal, e apreendeu celulares e computadores. De acordo com a polícia, conversas em grupos de mensagem apontaram que o vereador agredia o menino e a mãe tinha conhecimento. A babá de Henry também denunciou as agressões.

Segundo a polícia, o vereador tem um histórico de agressões a ex-companheiras e ex-enteados, o que reforçou as suspeitas dos investigadores.

"Não há dúvidas da autoria do crime", disse Damasceno.

No dia da morte da criança, o pai de Henry o deixou com a mãe e o padrasto e, horas depois, foi avisado de que o menino estava no hospital em estado grave.

Segundo as investigações, o menino chegou ao hospital já praticamente morto. Um executivo do hospital recebeu uma ligação de Jairinho para pedir a pronta liberação do corpo, mas o pedido não foi aceito.

Um exame feito pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou que a criança tinha lesões, edemas e lacerações que seriam incompatíveis com a suposta queda da cama alegada pela mãe e pelo padrasto e indicavam uma agressão.

O vereador foi afastado do partido e pode ser expulso do Solidariedade. A Câmara Municipal do Rio suspendeu os salários de Jairinho e o Conselho de Ética da Casa se reúne nesta quinta para definir punições ao parlamentar.

"Precisamos de uma medida cautelar contra o vereador e a Justiça tem que ser provocada. Defendemos o afastamento imediato do vereador e, com base no inquérito, vamos elaborar uma representação para que haja um processo de cassação dele. O crime de que Jairinho é acusado é hediondo e abominável", disse a jornalistas o vereador Chico Alencar (PSOL).

Jairinho foi líder de governo dos prefeitos Marcelo Crivella (Republicanos) e no mandato anterior do atual prefeito Eduardo Paes (DEM).

Procurados, os advogados do vereador não responderam a pedidos de comentários.