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Venezuelanos podem ficar sem os dólares de parentes no exterior

Patricia Laya e Nicolle Yapur

(Bloomberg) -- Bloqueios e empresas fechadas nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina colocam em risco bilhões de dólares em remessas das quais a economia da Venezuela depende.

Famílias venezuelanas recebem quase US$ 4 bilhões por ano de parentes no exterior, mas esse número tende a cair se migrantes perderem o emprego em meio à pandemia de coronavírus. Esse quadro agravaria a miséria no país, que também é atingido pela queda dos preços do petróleo, bem como pelo próprio surto de vírus.

Mariang Stefanie Escala, de 29 anos, ganhava 34 mil pesos (US$ 8) por dia como garçonete em um restaurante de Bogotá até 19 de março, quando gerentes lhe disseram que iam fechar devido ao bloqueio anunciado pelo gabinete do prefeito.

Mariang enviava 300 mil pesos por mês para a família na cidade venezuelana de Puerto la Cruz, mas agora nem sequer tem o suficiente para pagar o aluguel ou conta de luz.

“Há muitos venezuelanos na mesma situação”, disse em entrevista por telefone.

A Venezuela enfrenta a depressão econômica mais profunda da história das Américas, agravada pelas sanções dos EUA. A entrada de dólares dos 5 milhões de venezuelanos que deixaram o país nos últimos anos é uma tábua de salvação para cerca de 30% das famílias que ficaram.

Agora, migrantes venezuelanos em países como Colômbia, Peru e Espanha correm risco de ficar desempregados em meio à crise global.

“As economias dos países onde os venezuelanos vivem e enviam remessas perdem dinamismo e, além da situação excepcional do coronavírus, os obstáculos para o envio de dinheiro se acumulam”, disse Francisco Rodriguez, economista venezuelano e professor da Universidade de Tulane.

Rodriguez estima que as remessas devem cair 60% neste ano. Outros economistas, como Asdrubal Oliveros, diretor da Ecoanalitica, estimam uma queda menos drástica, de 30%, dependendo da gravidade da crise global que afeta o emprego.

Cerca de 25% dos venezuelanos - cerca de 7 milhões - sofrem com a falta de alimentos, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.

Em 17 de março, o presidente Nicolás Maduro ordenou um bloqueio nacional para conter a propagação do vírus, que até agora infectou pelo menos 91 pessoas na Venezuela e mais de 450 mil no mundo todo.

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