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De ex-vendedor de picolé a dono de um negócio estimado em R$ 50 milhões

Luis Fernando Câmara, um dos fundadores da Vox2You (Foto: Divulgação)

Por Melissa Santos

Luis Fernando Câmara sempre teve vontade de conquistar sua independência financeira. Nascido em uma família de classe média baixa, em Cravinhos, em Ribeirão Preto, ele nunca passou necessidade, mas queria comprar os lanches e ir ao cinema sem depender dos pais.

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Aos 11 anos, ele começou a vender sorvetes pelas ruas da cidade. Aos 14 anos, passou a vender salgadinhos em uma pastelaria, ao mesmo tempo em que estudava, e aos 16, virou instrutor de informática. "Essa vontade de ser independente foi me moldando e comecei a querer fazer as coisas acontecerem", relembra.

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O primeiro negócio próprio veio quando Luis ainda não tinha alcançado a maioridade. Ele se juntou com seu irmão, farmacêutico, e seu pai para abrir uma farmácia. "Vendemos dois carros e apostamos no negócio. Chegava a colocar embalagens vazias para dar a ideia de que as prateleiras estavam cheias e tive muitas conquistas, como minha casa própria aos 19 anos", conta.

Eles abriram uma segunda unidade da farmácia, mas o empresário identificou que não gostava de venda passiva, ou seja, de ter que esperar o cliente entrar no estabelecimento para fechar a compra.

Ávido por conhecimento e leitor assíduo da revista Forbes, aos 20 anos, Luis Fernando não parava de pesquisar referências e fontes de inspiração para criar um negócio em larga escala. Foi quando decidiu abraçar sua paixão por vendas e montar uma empresa neste segmento.

Focada na venda de treinamentos e eventos empresariais, a cia. aumentou ainda mais as vendas depois que toda equipe passou por um treinamento de oratória com João Valdir Fernandez Junior, que atuava como coaching e professor. "Foi quando conheci mais profundamente a metodologia das suas aulas. Após uma viagem para Orlando com um grupo de empresários, voltei decidido a criar a Vox2you, única rede de escolas especializada em oratória do país", afirma.

Luis reparou no aumento da presença --e do lucro-- das escolas de idioma, habilidade primordial para o mercado de trabalho, mas que não existia qualquer curso que ajudasse a se comunicar melhor e vender suas ideias. "Foi quando resolvemos estruturar um curso com 145 horas de treinamento e 80 técnicas, como modulação de voz e programação neurolinguística, para que os alunos aprendessem a falar em público", comenta.

Ele credita o sucesso da escola por conta da ineficiência do sistema educacional do Brasil, que não ensina os alunos a fazer uma apresentação em público, storytelling, linguagem não verbal e modulação de voz. “Desde a época de Aristóteles nós precisamos da oratória para nos comunicarmos”, pontua.

A ideia do empresário se encaixou na meta de ter um negócio replicável e com ganhos em escala. Ele e Junior abriram a primeira escola em 2015 em Cravinhos e formaram mais de 300 alunos na região. "Depois seguimos para Ribeirão e começamos a franquear o negócio. Hoje contamos com cerca de 30 escolas e, para abrir um espaço, é preciso investir R$ 100 mil e ter um fluxo de caixa de R$ 80 mil durante os primeiros meses de operação. O lucro é estimado em R$ 400 mil ao ano", explica.

Para o empresário, sua missão de vida é criar um legado de empregos para a população e, pensando nisso, também foi criada uma opção de microfranquia com cursos sob demanda. “Há 10 anos nós lutamos para criar algo que faça diferença no Brasil. Minha ideia é continuar crescendo cada vez mais e abrir a o capital da nossa empresa na bolsa de valores no ano que vem. Com isso, traremos ainda mais investimento para cá”, fala.